Amores Suspensos

Tive um amor que desconheci. Soube anos depois que me amou sem me dizer. Tive amores que não souberam da minha alucinada paixão e sumiram como os balões de gás. Amores retornaram vãos depois da vida mastigá-los em pedaços inusuais.

Sofri sem saber que aquele menino seria a paixão da maturidade, e me desliguei daquele em que apenas toquei o lábio numa festa nos loucos anos de libertação. Estive no centro da barbárie da conveniência e soube reverter a insuportável traição de amigos.

Sofremos muito com amores suspensos, alguns em contingência, outros existindo somente em palavras, toques de mão, ardências de mostarda e de pimenta.

Piscaram meus olhos, o menino se foi, piscaram de novo, um outro está na porta. Piscou, meus lábios me traíram. Piscou, o amor findou sem ter rosto.

Sobrou a madrugada amena e eu lendo os livros que nenhum amor quis ler comigo.

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