Andrômeda

Sou eu ali num redondel aprendendo de mim meu melhor galope. Sou um piano. O músico repete as notas infinitamente até que na madrugada, os sons vigorosos passeiam sozinhos pelo corredor da casa das paredes altas. Sou eu, corda de trapézio, levando e trazendo um corpo ágil e leve, concentrado nos pensamentos de não sucumbir — mas trazer aplausos. Descobrir o quanto amo, apenas. Amo porque pulsa no cavalo, no piano e no trapézio a força das mãos. Mãos que pedem um corpo, cabelos e peito, pernas e ternura. Sorte e determinação. Acerto e compaixão.Voar`a cavalo destemidamente. Dedilhar o trapézio, perigosamente. Dançar no vácuo a cada nota que viaja pela casa.

Deve ser o amor, somente. Um movimento na direção de um outro que aguarda há muito o vôo do piano pela galáxia de Andrômeda.