Impossibilidade

como se o tempo fosse contínuo
como se eu estivesse em seu colo
o colo negado.

como se eu te investisse de mágica
como se minha infância fosse permanente
para o deleite da tua loucura.

como se eu, ainda frágil,
armasse meus braços
para um encontro tardio.

traria eu a insanidade onde se depositou,
sim, e em meu colo,
a responsabilidade dessas mortes
cotidianas?

todas as horas em que você não me embalou.
todas as tardes que me solidei.
todas as ondas de mar que investi para tentar a morte.
todas as dores que me vesti inutilmente.
todos os contornos deformados de meu corpo.

hoje veias azuis, hoje estômago virado
hoje sexo diminuído, hoje a perda de minha pele
hoje meu olho cansado de mundo, hoje meu véu de timidez
hoje.

seu colo negado pela impossibilidade temerosa de amar.

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