O que você está fazendo exatamente agora?

O que você está fazendo exatamente agora? Se abro aquela velha mala de couro, postos lá estão aqueles poemas e cartas que não saíram de lá. Para onde você vai cheio de lágrimas, se aqui nesta poltrona rosa era onde sempre esteve quem procura? Talvez não entenda que se foi. Foram-se os poemas, a mala, a champagne, o charuto perfumado, belas pernas morenas. Foram-se dias, irão todos os outros milhares de anos. Sacais. Infernais. Maçantes. Sem guizos para arrebentar, sem ladeiras de gelo e areia, sem motores abertos dragando o ar puro, infernizando passarinhos. Tudo sem sal, sem rosa, sem perfume, banalizado, escorregadio, morno, posta esquecida, manhã de garoa. Já sem saída, giro rápido meu ombro mas a porta se bate num tranco só. Oco.