Peixe Grande

Certo mesmo seria compor mas nada me obedece. Não tenho notas a administrar estou sem melodia pronta. Deve ser assim. Vai-se até lá fora, respira-se, e está ali aquela canção de um amor que nem veio, não foi. Levou um minuto. Volto a fechar a porta de vidro que corre e isento as gravuras da sala de me darem a atenção devida. Vou aos pincéis que me tiram o amargo do céu da boca. Se recusam a sair do pote, revoltados com a escolha da paleta. Agarro o livro que escrevo com tortura e prazer todos os dias, folhas lotadas de rabiscos sem ordem. É tudo como se uma cachoeira estivesse represada na boca pequenina de um peixe.