Remédio

Queria um remédio. Para o quê senhora? Para a alma. Mas o que sente? Frio. Inquietude, trânsito nas entranhas. Viu estrelas hoje? Não. Choveu. Cheirou a terra, mas mesmo assim dói a danada. Vou lhe dar conselhos ao invés de remédio. Posso? Pode. Está linda assim sofrida e o tormento embelece os anos do rosto. Ah, sim. Qual conselho? Durma ao relento porque o vento apagará esse deserto e a meia lua em eclipse lhe acolherá. Hum. Vou indo, farmacêutico, vou tentar. E se eu não conseguir? Meta-se na água da bica gelada e violenta — assim a alma assusta e assenta. Vou voltar no mesmo passo que vim, na pisada da vinda. Volto contente e consigo. Volto ao relento e à água. Volto amanhã curada.

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