três travesseiros surdos

As gelatinas dos refletores, filtros`a mão em todos os apps, corretores de cor como chuchus da feira, óculos de todas as gamas de tons, lentes de contato com paleta de cores. Soterrados pelos excessos de luz e sombra, de vermelhos e amarelos intensos, os olhos tem sido bombardeados de grãos, traços, cortes, imbricações, sobreposições, e vamos até ao insulfilm. Vez ou outra sonho com um quarto branco, lençóis brancos, moveis brancos, janelas para o nada, cortinas densas, brancas. Minha retina pede sossego. As conexões neurais querem descansar das texturas, gramaturas do papel, densidades, distorções de photoshop. Acho que preciso sonhar. Apenas. Água descendo montanha, neves eternas, olhos d’ água. Pálpebras, queridas pálpebras, preciso lentamente afundar minha cabeça em três travesseiros surdos.