Ulisses

Me contou Ulisses de olhos vendados, o canto das sereias. Me fez ver como ele obstinadamente encontrou no vento o condutor louco para que não se desviasse da rota traçada, impedindo o fim. Me contou como pessoas atraem pessoas para baixo, para que parem de brilhar, determinadas ao objetivo. Depois foi a emoção reprimida e como ela volta encapsulada do fundo da memória. Nos arrebata com a mesma intensidade do momento, esteja ele guardado onde estiver, sempre naquele mais profundo. Me lembrei de Einstein. Einstein e Freud. 100 anos para as ondas gravitacionais existirem em si, comprovadas. 100 anos para Freud cumprir seu louco papel na História ao dar entendimento aos nossos mais terríveis e ocultos sentimentos inomináveis. Ao final vem Ulisses pelas ondas do espaço-tempo impedindo a queda atraente e o estilhaço.

Aquela figura multifacetada, a memória, essa louca branca que se desprende colorida, e deságua nos olhos da Menina.

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