Tudo que fazemos, no final das contas
é nada mais que nada
Nos iludimos o tempo todo como se houvesse um sentido na vida. Como se ser melhor, pior ou igual tirasse o nosso único futuro: a morte.
Gente que vive em busca da eterna felicidade, mas que não busca ser feliz dentro de si mesmo.
Gente que quer a paz interior mas que nem sabe ao certo o que a paz exterior significa.
Gente que quer ser famoso pra viver de um delírio que existe na mente de todo mundo. Ou de ninguém.
Gente que acha que o seu mundo é o mais importante. Talvez seja, afinal.
Gente que acha que o novo amor, daquele momento da vida, é o seu mundo.
Gente que não vê que a ampulheta da vida tem a areia mais fina que existe e isso faz o tempo correr em um piscar de olhos.
Gente que pisca os olhos e cresceu. E já não lembra mais a razão de estar ali.
Gente que nunca vai saber onde é o ali.
Gente que faz planos, como se a vida seguisse um roteiro muito bem pensado onde todo mundo é mocinho e vai ser feliz no final
Gente que pensa em ser o vilão. Sempre são os melhores da história.
Gente que quer contar a história.
Gente que quer ver a história.
Gente que quer viver a história.
Gente que se considera vazio e que espera alguém pra preencher de números a vida.
Gente que não lembra que qualquer número multiplicado por zero é zero.
Gente que pensa na morte como o final da vida.
Gente que pensa na morte como início de uma nova jornada
Gente que nem pensa nada.
Gente que quer se iludir o tempo todo
Gente que, na realidade, pouco me fodo
Gente como a gente.
**Este é um conjunto de devaneios que refletem exatamente o que é a matemática da vida : uma soma de tudo que podemos querer e um resultado que nunca iremos fugir — ser um vazio.
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