A religião — como inimiga da tirania

A religião é uma grande determinadora de comportamento.

O assunto religião é extremamente extenso e, naturalmente, eu não pretendo esgotá-lo aqui. Quero só pinçar um pequeno ponto desse universo amplo de questões. Que é este: a religião como concorrente do projeto de dominação.

Qualquer grupo que pretenda o poder absoluto sobre a sociedade terá que enfrentar a questão da religião.

Grupos que pretendem chegar ao poder absoluto sobre toda a sociedade, sobre todas as pessoas e todas as formas de organização humana, existem desde que o mundo é mundo. A maior parte deles evidentemente nunca se apresenta assim, como um bando de facínoras que pretende o controle total das vidas das pessoas e, principalmente, do patrimônio delas e, enfim, de todos os recursos que houver disponíveis naquela sociedade. Evidentemente que não… Esses facínoras ambiciosos se apresentam, no mais das vezes, como salvadores e revolucionários que caridosamente pretendem, ao contrário, livrar toda a sociedade da tirania e da opressão de algum inimigo interno ou externo. Não importa. Os casos de revolucionários que juravam estar defendendo seu povo e que, no momento seguinte, se tornaram nos maiores assassinos que a sua gente já viu são tantos que não é necessário aqui citá-los. O Estado é o maior assassino do povo. E, geralmente, justo quando está sob o controle de grupos que chegaram ao poder jurando mudanças, justiça, liberdade, etc… para o povo.

Mas, a questão deste texto aqui é o fato de a religião se tornar um empecilho para o grupo de facínoras que está pretendendo implementar um projeto criminoso de poder.

Porque esse grupo não poderá subjugar à força toda a população de um país. Tomemos como exemplo o Brasil. Não há como nenhum tirano chegar ao poder se 100% da população brasileira estiver consciente das intenções dele e se opuser frontalmente ao seu projeto. Nem com a ajuda de todas as Forças Armadas. Não há homens e logística militar suficientes para controlar o povo todo por tempo indeterminado. Fora, logicamente, que os militares certamente não estariam dispostos a uma tal loucura.

Então, o que fazer? Como chegar ao poder absoluto num cenário desses?

A solução é ludibriar a população.

É fazê-la acreditar que o que está acontecendo no país é uma coisa, quando, na verdade é absolutamente outra…

Isso se consegue, resumidamente, assumindo o controle do fluxo de informações na sociedade. Ou seja, controlando mídia e sistema de ensino.

E aqui começam os problemas dos aspirantes a tiranos.

O grupo de facínoras dirá ao jovem que ele deve fazer quadrado — em casa, sua família (outro inimigo mortal dos projetos criminosos de poder!), dirá que não, que não é esse o comportamento adotado naquela casa, que, ali, os pais determinaram, seguindo seus preceitos religiosos, que todos farão redondo. E não quadrado.

O grupo com pretensões criminosas de poder dirá à mulher que o comportamento que ela deve adotar é o comportamento para o lado de cá — conveniente ao projeto criminoso, perceba ela, mulher, ou não — e essa mulher chegará em casa, e, uma tradição religiosa lhe dirá que esse não é o comportamento adequado para uma mulher. Que o certo é, justamente, o comportamento para o lado oposto.

Ao homem, os facínoras dissimulados dirão que agora vivemos tempos de nova escala de valores! Que, antes, A era mais importante que B, que os nossos pais colocavam sempre A na frente de B em suas decisões mas agora, não, os mais modernos intelectuaoloides redefiniram os valores, e, só os ignorantes ainda colocam B em segundo plano em relação a A. “Vai estudar!” é o que vocifera o cafajeste que defende o projeto criminoso de poder. “Estudar”, naturalmente, a “literatura” produzida pelo próprio grupelho de facínoras a que ele pertence. — Mas, esse homem, ao final do dia vai até o templo da sua religião e, lá, o sacerdote lhe ensina que o Deus deles, na sua eterna sabedoria, estabeleceu para o homem o dever de pôr sempre em sua vida B abaixo de A, em total confronto com os objetivos do projeto criminoso de poder…

Meu amigo, como ser um facínora tranquilamente num lugar desses!?

Não dá!

Percebe?…

Essa religião tem que morrer.

Ou esse grupelho nunca chegará ao poder…

É essa reflexão que eu quero, muito humildemente, propor a você.

Estamos realmente conscientes do impacto das religiões sobre a organização da sociedade?

Adianto que esse impacto é, ora positivo, ora negativo. Não é só positivo. Ele é, certamente, negativo por vezes. Mas, não é só negativo. Ele é vitalmente positivo, em muitas circunstâncias.

Depois de nos questionarmos relativamente ao nosso próprio grau de consciência da complexidade da questão, proponho também que nos questionemos sobre esse mesmo grau de consciência em relação às pessoas que estão à nossa volta.

E elas, quanto elas estão conscientes?…

A conclusão que me parece lógica é que precisamos tomar cuidado.

Muito cuidado!

Religiões tradicionais, que estão na base estrutural da nossa sociedade, estão sofrendo mudança, e, muitas vezes ataques que visam deliberadamente à destruição, o desaparecimento mesmo, dessas religiões. Sacerdotes de ligações e objetivos questionáveis mexendo nas fundações do mundo em que vivemos. Criaturas passionais odientas se insurgindo contra tradições religiosas, como animais irracionais que estão destruindo às cabeçadas os pilares em cima dos quais estou eu e minha família, e você e sua família.

Precisamos nos perguntar, amigo, o que vamos fazer diante desse cenário de coisas.

Deixe-me, então, recapitular o que estou dizendo:

1. A questão aqui não é se Deus existe ou não existe. Isso não tem absolutamente nenhuma importância, neste momento.

2. A religião não é santa. No sentido de não ser perfeita, simplesmente porque ela é composta de falíveis seres humanos. Mas, mesmo considerando todos os mais hediondos crimes das religiões, continua sendo verdade que elas determinam comportamentos. E esses comportamentos tornam viáveis — e inviáveis… — o surgimento e o estabelecimento de determinados arranjos da sociedade.

3. Nós temos que fazer alguma coisa. Se a nossa conclusão ao final de uma aprofundada análise for de que a coisa está tomando rumos inapropriados, teremos que intervir, amigo. Independentemente de sermos de alguma religião ou não. Repito, essa não é a questão aqui.

Por exemplo, o nosso caso, o caso do Brasil. Estamos inseridos no mundo livre. Esta parte do mundo é onde, não por acaso, prevaleceu o Cristianismo como religião predominante.

A pergunta então que se apresenta é:

Se o Cristianismo desaparecer, ou, se ele for tão adulterado a ponto de se transformar em alguma coisa que não é realmente o Cristianismo, o que acontecerá com o mundo livre?

Ainda teremos o mundo livre?

Ou teremos uma sociedade mais parecida com aquelas onde prevalecem outras religiões? Ou mesmo com aquelas onde o estado não permite o progresso de religião nenhuma?

E, sempre lembrando que isso não tem nada a ver com o fato de eu e você sermos ou não cristãos, acreditarmos ou não na concepção virginal de Maria e etc…

Enfim, amigo, as religiões estão mudando.

E sofrendo graves ataques.

O que vamos fazer diante disso?…