Nietzsche(ando) no domingo:

O espaço determinado entre o início e o fim

Os tempos variados dos ciclos e as diferentes dimensões em que estão

Do corpo à mente. Da imaginação à matéria. Do biológico ao artificial.

O tempo entre cada abrir e fechar das pálpebras

E todos os abrir e fechar de pálpebras

Do início do tesão, ápice do orgasmo e encolhimento de órgãos, calor e paixão

Sistólicos e diastólicos de corações, pulmões, sangue

O tempo inicial de uma sinapse: de um neurônio para outro até terminar em alguma parte de um hipocampo qualquer, em alguma parte qualquer de um inconsciente.

Entre o nascer e o morrer

Entre brotar e perecer, para brotar de novo

Entre tudo que só possa fazer sentido se tiver onde acabar

A mesma água que chove é a que evapora

De um adeus nasce outro olá

Relações, animais de estimação, sorrisos, gozos, gripes, portas, lutos

Que chegaram, transformaram e partiram

Os ciclos nos pertencem e nós pertencemos a ciclos

Vai surgir. Vai passar.

Reciclando tudo incontáveis vezes, vezes inimagináveis.

O tempo que a matéria nos reserva não nos convém. É suficiente. Vai ao infinito.

É libertador.