Parque Estadual da Cantareira:
um patrimônio ameaçado

Fotorreportagem por Alice Herrera, Daicy Lucide, José Vitor Fischer,
Kamyla Borges e Marina Schmidt

As primeiras iniciativas de proteção da Serra da Cantareira datam do final do século XIX, e tiveram como motivação não só os estudos da flora local, como também a contenção do desmatamento; provocado, à época, pelas carvoarias e a expansão da cultura do café. É desse período a criação do Horto Florestal.

A oficialização do Parque da Cantareira como uma unidade de conservação estadual veio apenas na década de 60, quando mais de 70% de toda a cobertura florestal do estado de São Paulo já havia sido perdida. A criação do parque buscou, assim, conservar importante porção de floresta nativa da Mata Atlântica.

O parque não inclui toda a Serra da Cantareira, mas abrange uma área total de 7.916,52 hectares, que se espalha pelos municípios de São Paulo, Guarulhos, Mairiporã e Caieiras. A reserva possui quatro núcleos: Águas Claras, Pedra Grande, Cabuçu e Engordador.

Aberto à visitação apenas nos finais de semana, o parque oferece várias atividades de lazer, como trilhas por dentro da floresta.

Os visitantes também podem usufruir de espaços livres para a prática de esportes, piqueniques e leituras, além de áreas para descanso.

O espaço é considerado uma das principais iniciativas de proteção da Mata Atlântica, tendo sido nomeado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

O Parque da Cantareira exerce importante função ecossistêmica, por meio da conservação de floresta nativa e de espécies ameaçadas de extinção.

Também preserva nascentes e cursos d´água responsáveis por manter a qualidade e a disponibilidade de água dos mananciais que abastecem a região metropolitana de São Paulo.

A reserva é considerada uma das mais importantes florestas urbanas do mundo. Porém, desde sua origem, sofre as mais variadas pressões, sendo a principal delas a expansão desordenada da urbanização.

Nos limites localizados nos municípios de Guarulhos e São Paulo, a urbanização do entorno do parque tem se dado de forma precária, seja pela ocupação ilegal de encostas ou pelo não provimento de serviços básicos, como tratamento de esgoto.

Já na porção situada nos municípios de Mairiporã e Caieiras, predominam os condomínios residenciais; muitos deles de alto padrão.

O efeito imediato é o desmatamento das encostas e das zonas de amortecimento do parque (no entorno), a retirada das matas de proteção dos mananciais, nascentes e cursos d´água, e a poluição destes pelo esgoto doméstico.

Mais recentemente, as obras do trecho norte do Rodoanel vêm somar mais uma ameaça: a da construção de uma rodovia que corta a Serra da Cantareira.

As obras do Rodoanel estão a todo vapor, e já provocaram o desmatamento de várias áreas de floresta, apesar do protesto de movimentos ambientalistas e de defesa da Serra da Cantareira.


Até agora, o parque na Serra da Cantareira tem sido um dos poucos fatores de resistência à dizimação total do patrimônio natural único remanescente de Mata Atlântica, protegendo a floresta e garantindo água para o abastecimento público. Resta saber até quando.

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