Police Story (2)

Eu trabalhei quase três anos numa delegacia em cuja área havia um CDP (detenção provisória, ou prisão antes da sentença condenatória) da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária. De vez em quando alguma ocorrência de lá vinha parar no plantão policial por se tratar de crime, já que a SAP não tem competência de Polícia Judiciária.

Uma das ocorrências mais frequentes, ainda que nem tanto, era de mulher tentando passar entorpecentes ou telefones para dentro da cadeia. Se o “conteúdo” já estivesse pra fora, ótimo, era só apresentar indiciada e objeto na delegacia. Se não, era preciso levar a indiciada ao hospital para “parir” o pacote. Pois em muitos casos é um verdadeiro parto, com sangramento e tudo. Quem já escoltou de perto (normalmente policial mulher) fala que o negócio é feio.

Numa dessas ocorrências, eu vi a indiciada: grávida de 4 meses, 19 anos, porte físico bem magro e pequeno. Marido preso. O pacote era um torpedo de maconha recheado de cocaína enrolado em fita isolante. Se aquilo estourasse, a moça morreria em segundos de overdose. Mas o impressionante era o tamanho do míssil, maior que aqueles celulares Ericsson antigos.

“Mas se deu esse trabalho todo no hospital para sair, como isso ia sair lá de dentro na hora da visita?”

Ah, quando tá difícil, às vezes eles dão umas apertadas, uns murros, junta mais uns caras… até sair.

Lembrando que esse é um dos meios de financiamento do crime organizado dos presídios. Tem gente intelectual que acredita que o PCC tem ética e é um “bem” para o povo da periferia.

O que tem que acabar não é a revista íntima, é a maldita visita íntima.

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