A felicidade

A felicidade é como a pluma, que o vento vai levando pelo ar. Voa tão leve, mas tem a vida breve, precisa que haja vento sem parar.
Vinícius de Moraes

Felizes são as pessoas que conseguem colocar para fora sua felicidade.

O que eu faço nesses momentos é soltar um sorriso espontâneo, sincero como o de uma criança admirando bolhas de sabão no ar, agarrar e me entregar à sorte do momento, sem nem lembrar mecanicamente de o fazer.

Até rio depois: queria escrever sobre, fazer uma música, descrever o que foi, mas só consigo recordar a sensação, como se fosse algo surreal, o qual não consigo explicar. Tão frágil que só cabe nas lembranças e nos suspiros de nostalgia.

A última vez que tive essa sensação não faz tempo: ela chegou, nem imaginava, foi abrindo terreno naturalmente com um sorriso e uma beleza que transbordavam. O estopim foram abraços, beijos e comentários e carinhos afoitos, sensíveis e desajeitados. Por fim, o declínio foi o metrô que a levava como o vento que assopra e leva o dente-de-leão, num tom melancólico de despedida.

E a despedida é sempre difícil. Parece um sonho bom que nos faz querer mergulhar no sono profundo e que quando nos acorda causa aquela ressaca, aquela saudade. Após, fica a lembrança, o orgulho do momento.

Depois do fim destes acasos preciosos, esperamos eles novamente. Não tem dia marcado. Dialeticamente, é bom e ruim; antes causa aflição, mas durante se converte numa exaltação, numa glória que eleva seu espírito, que derruba e ainda promete voltar.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.