Seja às oito da manhã ou às quatro da tarde, uma coisa é certa: você vai encontrar uma grande quantidade de pessoas passando pelas bancas do Mercado Público. Algumas estarão apressadas e desviando de tudo e de todos. Outras estarão lentamente caminhando pelos corredores movimentados, olhando para todos os lados e sem um rumo certo. Mas apesar da diversidade encontrada no Mercado, é impossível negar que o lugar inteiro parece conspirar para se transformar num ambiente de conforto e proximidade para quem quer que passe lá. Em uma mistura de cheiros e sons, ao entrar no Mercado você sente que entrou em um mundo paralelo. Um lugar onde todos se respeitam e valorizam o trabalho de cada um.

Amanda Di Giorgio
Dec 2, 2015 · 4 min read

Depois de tantos anos presente na história portoalegrense, o Mercado Público conquistou funcionários fiéis, com vidas tão intrinsecamente ligadas ao local que chegam a ser confundidas com a história do próprio Mercado. Estes três trabalhadores juntos somam mais de 160 anos de trabalho, ultrapassando a idade do próprio Mercado — 146 anos.

Carrancudo e sempre concentrado, Hélio Pereira quase não desvia o olhar dos diversos empacotamentos que faz por dia. Cirúrgico nos seus movimentos, são raras as vezes que ele dá uma pausa nas suas tarefas, parando para fazer algum comentário para os amigos das bancas ao lado. Com 69 anos de vida, seu Hélio está há 48 trabalhando no Mercado Público.

Seu Hélio chega às 6 da manhã no Mercado de segunda a sexta-feira, e valoriza muito o fim de semana que hoje ele pode aproveitar “porque já trabalhou muito”, segundo o mesmo.

Passando na frente da Banca Bandeira, você provavelmente não vai enxergar Leonel de Paoli. O homem de 70 anos costuma ficar nos fundos da loja, atrás de uma mesa onde ele lê o jornal, assiste a TV, conversa com os clientes e ainda trabalha como caixa. Tudo isso numa eficiência e conforto que só quem trabalha há mais de cinco décadas adquire.

Hoje Leonel trabalha só no turno da manhã e aproveita o resto do dia para passar com o seu neto, do qual ele tem uma foto no ambiente de trabalho e conta orgulhoso para quem quiser saber o quão maravilhoso é o menino. Leonel está há 54 anos no Mercado.

Vilson Bocca tem 70 anos, mas quando começou a frequentar o Mercado diariamente, tinha 9. Está há 61 anos trabalhando lá. Os anos acumulados de experiência ficam evidentes na facilidade que ele tem em encontrar os alimentos solicitados pelos clientes apressados e exigentes.

Hoje ele divide seu tempo entre os artesanatos de madeira que produz e o Mercado Público. Depois de tantos anos, Vilson ganhou clientes que se tornaram amigos e, de certa forma, é o funcionário que mantém a banca tão tradicional.

Amanda Di Giorgio

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