A menina dos olhos de brilhantes

Seus olhos brilhavam, como brilhavam. Sabe daqueles que te sugam a alma? Eram portais para dimensões ainda não descobertas pelo ser-humano, para lugares que só existem nos sonhos mais elevados, com as paisagens mais bonitas do que qualquer cidadezinha do interior da Europa. Eu sempre quis visitar Europa, quem sabe um dia com ela, ou sem ela, muito provavelmente sem. Engraçado como aquele momento quando um está devorando o outro com olhares você tem a sensação que estão conversando por horas sem falar palavra alguma, sem dizer nada mas dizendo tudo ao mesmo tempo, até ela perguntar sussurrando, em outro de mais um de seus atos apaixonantes — O que você está pensando? Eu só pensava nela, ela sabia, eu sei que sabia, elas sempre sabem. Ela só queria ouvir eu falando — EM VOCÊ! Nessas horas você não pode piscar para não perder o momento, aquele era o momento, como se não existisse nenhum lugar melhor para estar, senão ali, ali mesmo, na brisa fria que soprava em pleno parque naquela noite, em frente aqueles olhos que te esquentam e te acolhem, iluminados pela lua que até hoje me faz lembrar dela.