A importância de Edno no modelo de jogo do Remo

Chegou trazendo consigo enormes expectativas acerca do que poderia render ao Clube do Remo nesta Série C. Sabedor das enormes responsabilidade e cobrança que teria e sofreria ao desembarcar aqui, Edno vem correspondendo toda a confiança depositada em seu futebol. Ambientado ao clube e ao elenco, vem desempenhando diversas funções dentro do modelo de jogo e conseguindo deixar sua marca em momentos oportunos das partidas.

Ao todo já marcou 7 gols na competição, o que o torna artilheiro do time. Mas além do número em si, é de se destacar a importância que esses gols tiveram para hoje estarmos na liderança do grupo. Edno marcou gols quando estávamos empatando (River e Confiança), quando perdíamos (ABC e América-RN) e quando estávamos ganhando para garantir a vitória (Fortaleza e Confiança).

Mais do que artilheiro, esses fatos o colocam como o jogador com o maior percentual gol/ponto do elenco. Seus gols valeram 14 dos 23 pontos que temos hoje. Isso significa que Edno conquistou 60% dos pontos. Falo isso para ficar apenas nos gols, sem falar nas duas assistências para gols que ele já ofereceu aos companheiros. Desses 7 gols, 6 foram anotados dentro da área: 1 de pênalti, 2 em contra-ataques e 3 de cabeça. Apenas o gol contra o América-RN foi feito fora da área.

Edno, quando em ação ofensiva, primeiramente tem o dever de gerar profundidade ao ataque, empurrando para trás a última linha defensiva e prendendo os dois zagueiros, estendendo a distância entrelinhas para que o restante dos jogadores possam ocupá-la. Desta forma, ele garante liberdade aos extremos, meia e volante para infiltrarem e faz o pivô para atrair o marcador, girar e finalizar ou temporizar e assistir um companheiro com um passe na diagonal em profundidade às costas dos zagueiros.

Edno retém os dois zagueiros, dá profundidade, aumenta a entrelinha e permite aos companheiros infiltrarem sem a bola. Com isso, também aumenta a distância dos espaços entre zagueiros e laterais, permitindo combinações entre lateral e extremos para a chegada à linha de fundo.

Outra função que ele também exerce é a de “armador”. Edno gosta de recuar para auxiliar na segunda fase da organização ofensiva, que é a de construir as jogadas. Recua para às costas do volante, tirando a referência dos zagueiros e confundindo os encaixes de marcação. Assim, ele gera espaço entrelinhas e atrás dos zagueiros, que geralmente saem em perseguição e permite a infiltração do meia e extremos em diagonal.

Quando recebe a bola atrás, rapidamente gira e já passa em progressão a um companheiro que entra em liberdade no buraco aberto na última linha adversária. Esse espaço, costumeiramente de 20 metros, é suficiente para que ele funcione como o “arco” das jogadas, tendo capacidade de acelerar e verticalizar o ataque como um todo, além de pegar a segunda bola em um eventual rebote.

Edno recua e abre a possibilidade de diagonais de extremos e meia nas infiltrações. É importante ressaltar que o passe em progressão que Edno realiza é sempre em diagonal para surpreender a última linha. Este passe é dessa forma pois é o mais difícil de ser interceptado e pelo fato de os jogadores nunca estarem ocupando as mesmas linhas longitudinais em ação ofensiva.

Já em ação defensiva, é o responsável por iniciar a marcação dando combate ao primeiro volante adversário e o tirando da saída de bola. Esta marcação obriga à lateralização do jogo por parte do oponente, onde a zona de marcação é ativa e onde geramos a superioridade numérica para a roubada de bola a partir da linha do meio-campo. Este é um sub-princípio do modelo de jogo pouco ressaltado e percebido pela torcida que tem Edno como um dos principais executores.

Quando o jogo não é lateralizado pelo adversário na primeira fase de construção, resta a saída pelos zagueiros, que optam pela transição longa, facilitando a recuperação da equipe na segunda bola pela compactação nesta fase da partida. O outro volante fica sob responsabilidade de Eduardo Ramos, fazendo marcação passiva nesta zona central do terreno.

Encaixes individuais nos volantes obriga o adversário a lateralizar o jogo, onde a área de atuação é limitada e a superioridade numérica é facilmente gerada. “Fechar” o corredor central é um sub-princípio importantíssimo na organização defensiva do Remo.

A forma como uma equipe se defende indica a forma como essa equipe ataca. Reparem no posicionamento de Edno ao marcar o volante adversário. Ocupa uma zona central bem próxima ao meio-campo. Quando o Remo recupera a bola, o macro princípio é a retirada da bola da zona pressionante, executada com um passe lateral a um volante ou lateral.

Após esse passe, Edno já recua aproximadamente 10 metros para ser a opção do primeiro passe em profundidade para o contra-ataque. Recebe este passe por ter capacidade de acelerar e aprofundar jogadas, além de porte para temporizar, caso o marcador o acompanhe no recuo. Geralmente recebe dentro do círculo central e tem por função imediata acionar os extremos partindo em velocidade com um passe diagonal direcionado às costas dos laterais.

A prioridade é que o passe seja para o extremo posicionado do lado onde o ataque adversário estava ocorrendo, pois houve a subida do lateral para o terço ofensivo, além de permitir o 1 x 1 contra o zagueiro. Importante dizer que toda essa movimentação precisa ser sincronizada, automatizada e muito bem treinada com as especificidades do modelo azulino. Precisa ocorrer numa média de 5 segundos e com 4 passes para se chegar ao último terço do campo.

Em transição ofensiva, Edno recua para ser a primeira opção de passe vertical e tem a responsabilidade de acelerar o contra-ataque acionando um dos extremos na diagonal em profundidade atacando os espaços.

Uma das grandes características de Edno é sair da área para também gerar jogo e oferecer opção de passe aos companheiros. Porém, tem se destacado mesmo no ofício de centroavante dentro da área. Sempre está presente incomodando os zagueiros, aprofundando os ataques e gerando perigo, independentemente de participar ou não de determinada ação.

Quando a bola está em zona de cruzamento com arco lateral no campo de ataque, Edno posiciona-se inicialmente entre os zagueiros e em seguida busca a antecipação. Sua zona de atuação é central na área, podendo atacar a primeira trave de acordo com a forma como o cruzamento é executado. Seus três gols de cabeça foram marcados na zona central da área, sempre às costas do primeiro zagueiro de onde a bola partiu.

Zona central da grande área ocupada por Edno, entre os zagueiros e procurando antecipar o primeiro dependendo de como é feito o cruzamento. A segunda bola é do meia ou volante e o extremo oposto ao lado da jogada fica responsável por atacar a segunda trave. Tudo isso garante densidade ofensiva.

Aos poucos assumiu a responsabilidade e caiu nas graças da torcida. Vem realizando um ótimo trabalho aqui, dentro e fora de campo, sendo um dos líderes do elenco. Veste e honra a camisa do Remo, se entregando em todos os lances e adquirindo postura humilde sempre. Dessa maneira, quando Edno está em campo, o Remo consegue 85% dos pontos disputados.

Sua eficiência é enorme, pois como é centroavante, recebe marcação ativa e pesada em todos os momentos das partidas, então tem poucas chances de finalização. Sua média é de 3 arremates por jogo e a média de gols é de 0,58/jogo. Quando comparada às médias dos outros centroavantes da Série C, Edno está entre os primeiros. 3 finalizações por jogo com média de 0,58 gol por partida é um número excelente e que reflete a importância que este jogador adquiriu junto ao modelo de jogo de Waldemar Lemos.

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