Análise de Cametá 0 x 1 Remo — Parazão 2017
Pela primeira rodada da segunda volta do Campeonato Paraense, o Remo deu mais um passo rumo à classificação ao vencer os cametaenses. O triunfo também permite tranquilidade aos jogadores no Carnaval e uma boa preparação para a estreia na Copa Verde, próximo compromisso do Leão. A vitória devolveu aos azulinos a liderança do grupo, bem como trouxe mais confiança ao torcedor.
Mesmo com os desfalques de Jaquinha e Edgar, a comissão técnica optou por manter o esquema 4–2–3–1 como configuração inicial. Tsunami e Jayme ocuparam as vagas, respectivamente. Renan Silva formou a dupla de volantes com Marquinhos, enquanto a linha de três foi composta por Jayme, Flamel e Gabriel Lima. Nano Krieger fez a referência do ataque, cada vez mais firmando-se como titular da equipe.

Tendo o gramado como um adversário a mais, o Remo começou esperando um pouco as investidas do Cametá. Por estar mais habituado à tais condições, os donos da casa avançaram as linhas e alternaram as faixas do campo onde buscavam atacar. O lado esquerdo foi o mais forte quando os corredores laterais eram utilizados. Tete e Riquelme desciam na tentativa de chegada ao último terço para centrar a bola até Rafael Paty na grande área.
Quando não era por um dos flancos, a chegada se dava pelo meio, ainda o setor mais fragilizado em termos de intensidade na marcação remista. O time demorou a se adaptar às segundas bolas, permitindo aos cametaenses a oportunidade de finalizarem de média distância e de acionarem seu centroavante. André Luís destacou-se ao realizar boas intervenções em pelos menos três oportunidades concedidas.

Quando tinha a bola, o Remo procurou sair através de ataques mais diretos aproveitando Nano Krieger, já que o gramado não permitia uma circulação em condições aceitáveis. Com as paredes que o argentino realizava, os extremos e o meia aproximavam-se para gerar jogo a partir da intermediária ofensiva. Entretanto, a equipe ainda pecou muito nas tomadas de decisões e na precisão das jogadas.
Aproveitando a fragilidade dos encaixes de marcação do Cametá, por vezes Elizeu (substituiu o machucado Renan Silva) e Marquinhos tinham espaço no círculo central para avançarem e se incorporarem ao ataque. Era quando o avanço dos alas se fazia mais seguro, pois a possibilidade de triangulação e abertura do jogo em amplitude eram facilitadas. Finalizações da intermediária também apareceram.

O gol azulino saiu exatamente da projeção de Léo Rosa pela direita. Ninguém aproximou-se do lateral para diminuir seu espaço, dando tempo para que o cruzamento fosse limpo. Esse espaço foi gerado pela descoordenada sincronia das coberturas cametaenses. A recomposição não era eficaz e, com a movimentação diagonal de Nano às costas do zagueiro, a combinação direta estava feita.
Flamel, Elizeu e Marquinhos atraíram seus marcadores para que a projeção ocorresse. Esse é um dos pontos fracos do sistema defensivo adversário. Suas contenções são frágeis e sem a menor noção de quais os espaços a serem protegidos. A referência ser o marcador direto tira qualquer segurança e equilíbrio a uma defesa já frágil em termos de tempo e espaço.

Após o gol, Lucas Victor juntamente com Fininho, configurando uma alteração no esquema. O Remo passou a atuar no 4–3–2–1 (Árvore de Natal), com uma trinca de volantes para proteger e reforçar o corredor central na meso-espaço defensivo. A estratégia travou o adversário pois corrigiu a fragilidade existente no setor durante a partida. Elizeu mais atrás, com Marquinhos à esquerda e Fininho à direita.
Desta maneira, Flamel e Jayme atuaram às costas dos volantes, municiando o argentino. Os contra-ataques não foram tão velozes, mas a retenção da bola por parte do meia ajudou a acalmar a partida. A temporização de Flamel em um jogo tão direto propiciou tranquilidade aos azulinos, pois funcionava como escape e desafogo em momentos de maior pressão.

Faz-se necessário frisar que o time não teve um primor de atuação. Porém, em um campo difícil de se praticar futebol, há de se ressaltar a inteligência na estratégia e a sabedoria de saber jogar o que o jogo impôs. Em momentos assim, ter segurança naquilo que se quer é fundamental e garante resultados. O plano estratégico era mais vital que o plano tático pelas peculiaridades do Parque do Bacurau.
A equipe mereceu vencer. Sair com os três pontos evidencia o caminho certo até o momento. Ademais, fica a (boa) novidade de uma nova formatação (4–3–2–1) utilizada no segundo tempo. Ter essas variantes torna uma equipe mais imprevisível e sólida para atuar da maneira condizente à partida. Não foi a melhor atuação, mas foi uma das mais inteligentes no sentido de maturidade. O “saber sofrer” se fez presente e o Remo venceu mais esse desafio.
