Análise de Paysandu 1 x 1 Remo — Parazão 2017

Na penúltima rodada da fase classificatória do campeonato estadual ocorreu o segundo clássico Re x Pa de 2017. Uma disputa que começou agitada nos bastidores desde o início da semana, culminando em uma partida nervosa do ponto de vista da arbitragem e dos jogadores. Ao final, muita discussão acerca da atuação de Dewson Freitas acaba tirando um pouco o foco do futebol praticado em campo.

Não podendo contar com o suspenso Marquinhos, mas com o retorno de Jaquinha, o Remo foi escalado no mesmo 4–4–2 recente, tendo Tsunami de volante ao lado de Elizeu. Devido à polêmica envolvendo Edgar, Gabriel Lima foi colocado ao lado de Jayme na dupla de ataque, sendo servidos por Eduardo Ramos e Flamel. No mais, o time foi o mesmo que vem atuando regularmente neste início de ano.

Posicionamentos iniciais de Paysandu x Remo

No início da partida e sabendo da pressão externa que envolvia o rival, o Remo cedeu a posse ao Paysandu e marcou em bloco médio. Os atacantes Jayme e Gabriel Lima mostraram evolução na recomposição, bloqueando bem os avanços de Ayrton e Will. Desta forma, Eduardo Ramos e Flamel ficavam “livres”, não percorrendo grandes distâncias e ficando pelo centro, encurtando a distância entre a primeira e a última linha de marcação.

Como tentativa de criar a partir dos zagueiros, os bicolores realizaram a saída de três com a incorporação de Ricardo Capanema para iniciar as jogadas. Reagindo a isso, Eduardo Ramos e Flamel fecharam bem o meio, impedindo Wesley de ser opção de passe vertical entre linhas e forçando o jogo exterior com os laterais, até então bem combatidos pelos atacantes que retrocediam. Com isso, o Paysandu recorreu a lançamentos longos e ineficientes.

Panorama do início, com o Paysandu tentando propor, mas bem bloqueado pela postura remista ao forçar o jogo exterior e obrigando lançamentos longos

Após o gol do rival através de uma transição ofensiva e com a expulsão de Ricardo Capanema, os remistas tiveram que avançar linhas e propor o jogo em busca da igualdade no placar. Entretanto, faltou mobilidade e velocidade para triangular pelos lados, com linhas de passe lentas para quebrar o sistema defensivo adversário. Houve também certa imprecisão nos passes pelo nervosismo natural que um clássico envolve.

Flamel esteve mal, tomando decisões equivocadas e com erros técnicos não habituais. Isso prejudicou a circulação de bola remista, com poucas trocas de posições e não gerando chances de gol. Quando a bola chegava à zona de cruzamento, o erro era nos centros pelo alto sem a referência. Jayme e Gabriel Lima exigem essas bolas em diagonal no espaço visando a antecipação sobre os zagueiros.

Tendo que propor, o time não teve mobilidade e velocidade na circulação; quando pisava pelos lados, os cruzamentos eram pelo alto, mas não havia ainda a referência do centroavante

Percebendo isso e visando a grande quantidade de faltas cometidas por Tsunami, Josué Teixeira sacou o volante para a entrada de Val Barreto, baixando Flamel para auxiliar Elizeu um pouco mais atrás, em uma espécie de 4–2–3–1. Entretanto, não corrigiu o erro, pois a profundidade aliada à referência é boa quando a bola chega, o que não era o caso do jogo.

O Remo circulava até a intermediária, mas tinha poucas opções de jogo apoiado pela frente e não ocupava a entrelinha, fato que não imprensava o adversário e atrapalhava a atuação do centroavante. Os atacantes dos lados pouco conseguiam chegar à linha de fundo e também pouco conseguiram vitórias nos duelos pessoais no primeiro tempo.

Com a referência de Val Barreto o problema não foi resolvido, pois a questão estava na chegada da bola e não propriamente na finalização

No segundo tempo o panorama foi o mesmo, com a equipe pecando no encaixe do último passe por não haver opções livres em profundidade. Jaquinha saiu após uma pancada, entrando Felipe improvisado na esquerda, para aumentar o poder ofensivo, já que o Paysandu não oferecia mais perigo em suas transições. O atleta entrou na expectativa de associação com Jayme sobre o lateral Ayrton nas dobras ofensivas.

Com o tempo passando e o nervosismo tomando conta, nada parecia dar certo quando a bola estava pelo chão e transitava através de passes. O grande período de tempo com o jogo parado por inúmeros motivos também quebrou o ritmo de jogo das equipes, prejudicando mais o Remo nesse sentido por ter que correr em busca do resultado adverso, além de algumas decisões equivocadas do árbitro.

Felipe entrou improvisado na esquerda para auxiliar Jayme e dobrar ofensivamente em cima de Ayrton

Abrindo mão de tentar chegar ao gol tocando bola, Josué sacou Flamel e colocou David Lima, lateral de ofício, para cruzar e explorar a bola aérea. Pôs Jayme e Gabriel Lima mais por dentro, próximos a Val Barreto e atacando a área quando os cruzamentos partiam. Eduardo Ramos circulava por todos os lados tentando achar brechas, criar jogadas e decidir. Em uma sequência de escanteios, o gol finalmente saiu, graças a muita insistência.

Panorama tático do final do jogo, quando o Remo abriu mão dos passes e passou a buscar o jogo direto na área

Com toda a confusão da arbitragem, o campo pesado e todas as discussões da semana, esperava-se um clássico muito nervoso, como realmente foi visto no gramado. A expulsão fez com que as coisas mudassem de figura, obrigando o Remo a ter que sair em busca do resultado e expondo uma atuação irregular de alguns jogadores. A proposição não funcionou principalmente pelo pouco oferecimento de linhas de passe por parte dos atacantes.

O que se tira é a manutenção da invencibilidade e do comprometimento de todo o elenco em cima do projeto. A fraca atuação no clássico serve de alerta, mas também está dentro de um padrão de oscilação natural dentro da competição. O que prejudicou não foram erros estruturais, mas de execução e tomadas de decisão, coisas perfeitamente aliadas a um dia ruim, sem críticas ao modelo que vem sendo implementado.

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