Análise de Remo 0 x 1 Salgueiro — Série C 2017
Vindo de dois resultados aceitáveis em termos de placar, mas preocupantes falando em desempenho, esperava-se um Remo cumprindo o básico que vem apresentando na Série C e garantindo mais uma vitória. Entretanto, o que se viu no Mangueirão foi o ápice da inoperância coletiva reinante em 2017, onde, após as sensações iniciais com Oliveira Canindé se dissiparem, não há mais quase nenhum aspecto concreto a qual o torcedor poderia se apegar.
Por se tratar de um jogo dentro de casa, Canindé retornou ao 4–2–3–1 visando melhorar o fluxo ao tomar a iniciativa do duelo. Edgar e Pimentinha atuaram como extremos e Luís Eduardo foi a referência do ataque. Eduardo Ramos completou a linha de três. Daniel Damião substituiu o suspenso Léo Rosa na lateral-direita. Com isso, e sabendo que os dois laterais têm a defesa como prioridade, a exposição teria que ser menor, coisa que não aconteceu devido à rotineira descompactação e a não recomposição.

Como de costume, o adversário formou um 4–1–4–1 em fase defensiva e cedeu a iniciativa ao Remo. A partir daí, viu-se uma sucessão de descoordenações nos posicionamentos. A primeira fase de construção não fluía, com os volantes sem opções de desafogo e sem qualidade para assentar o time em campo ofensivo. Um bloqueio central foi montado pelo Salgueiro para impedir a progressão por baixo e forçar o jogo pelos flancos, onde tentava superiorizar e recuperar a posse.
E como um problema puxa o outro, isso provocou uma excessiva acumulação de jogadores no setor intermediário central, com quase todos ocupando a mesma altura e tirando verticalidade do jogo azulino. Assim, Luís Eduardo, Edgar e Pimentinha ficavam isolados e sem possibilidades de um jogo mais apoiado. Dessa maneira, os espaços a serem usados pelo trio ofensivo eram grandes demais, o que forçava jogadas individuais quase sempre sem sucesso.

Falando da organização defensiva, já era esperada a falta de composição por completo da segunda linha de quatro formada pelo Remo, especialmente os extremos. Por isso, a área a ser ocupada pelos volantes era grande demais, fazendo com que sempre estivessem atrasados na chegada às zonas onde a bola estava. Essa exposição é crônica do time e se arrasta desde o início do ano.
Pela configuração do 4–1–4–1 do Salgueiro e com funções de centralização por parte dos pontas, os visitantes obtinham superioridade numérica no campo defensivo remista. As intensas trocas de posições permitiam as chegadas pelos flancos, setores mais despovoados da defesa, e abriam corredores interiores após o balanço defensivo dos volantes, sempre terminando em infiltrações e ocupação da grande área.

Além de sempre atacar em inferioridade, o Remo não soube chegar e agredir no último terço. O lado direito foi o mais procurado, sendo o mais associativo da partida. O time até tinha esboços de triangulações, mas as péssimas tomadas de decisões atrapalhavam a finalização das jogadas. Definir o timing dos passes também é importante, já que permite a profundidade de alguém no espaço intralinha entre lateral e zagueiro.
Como se não bastasse a dificuldade de ativação do terço final, Luís Eduardo e Edgar ficavam distantes do centro de jogo, sem movimentação oportuna visando gerar mais linhas de passe. É fundamental ter jogadores bem posicionados e habilitados na coordenação, principalmente em um time ainda carente de um padrão estabelecido. E como os laterais pouco se incorporam nas ações agudas, torna-se mais necessária essa aproximação entre os atacantes e o meia.

No segundo tempo, e já atrás do resultado, Oliveira Canindé colocou Gabriel Lima, Flamel e Jackinha nos lugares de Daniel Damião, Pimentinha e Tsunami, respectivamente. Ilaílson foi deslocado à lateral-direita. Assim, Canindé cometeu o erro cultural de encher o último terço e despovoar o centro, fazendo com que a bola não chegasse ou chegasse sempre quebrada, dificultando qualquer ação individual/coletiva.
O Salgueiro pôs o time atrás e começou a rebater as frustradas ações ofensivas do Remo. João Paulo, Ilaílson e Jackinha eram quem ocupavam o segundo terço, contando, eventualmente, com recuos de Flamel ou Eduardo Ramos. Naturalmente, nenhuma chance efetiva foi criada, com os jogadores mostrando apatia pela impotência de gerenciar e ocupar melhor os espaços para furar o bloqueio defensivo visitante. Faltaram ideias pela estratégia equivocada ao posicionar as peças provenientes do banco.

Mais um vez o time ficou devendo. Agora, com uma incapacidade ainda não vista. Não houve acertos em qualquer fase do jogo remista, com todos os atletas previsíveis em suas ações por causa da gama de ideias não ser tão vasta por parte da comissão técnica ao dotá-los de soluções aos problemas. Faltam certos princípios estruturais para melhorar a disposição tática que facilitaria em jogos onde a iniciativa maior seja do Remo.
Oliveira Canindé sabe que seu trabalho ainda está no começo, mas as sensações motivacionais já não sustentarão o rendimento. Será necessário realizar durante a semana exercícios que potenciem as integrações entre os setores para facilitar a aparição de ideias em vários momentos e soluções aos atletas nos momentos de posse. As mudanças e o contexto atrapalham, mas chegou o momento de apresentar algo minimamente mais elaborado em todas as fases do jogo.
