Análise de Remo 1 x 0 ASA — Série C 2017

Remo Tático
Jul 25, 2017 · 5 min read

Voltar ao G-4 era o grande objetivo da partida, contra um adversário que tinha muito menos a perder, atestado pela postura de enfrentamento aberto adotada pelo ASA. A vitória chegou com o aperto esperado diante das incertezas que cercam a tabela, com substituições controversas aos olhos dos torcedores, mas que reforçam a convicção do treinador, baseado também no desequilíbrio do elenco.

Léo Goiano manteve a estrutura 4–3–1–2, dando continuidade às movimentações e mecanismos na tentativa de torná-los mais frequentes e melhor assimilados pelos jogadores. A trinca de volantes foi formada por Ilaílson, Dudu e o estreante França, com Eduardo Ramos funcionando como “enganche” municiando Luiz Eduardo e Pimentinha. Igor João entrou no lugar do suspenso Leandro Silva na zaga. No mais, a equipe foi a mesma que já vinha atuando.

Posicionamentos iniciais de Remo x ASA

Ao tomar a iniciativa com a posse, o Remo buscou sair com horizontalidade e temporizações pelo lado direito com Léo Rosa. Uma novidade positiva foi o número de opções mais fáceis que o lateral tinha para levar o clube ao campo de ataque. Isso foi proporcionado pelo melhor escalonamento dos jogadores, assentados e distribuídos racionalmente pelo terreno de jogo. Na maior parte do tempo, Pimentinha, Eduardo Ramos e Dudu aproximavam-se para as associações e posterior ataque aos espaços.

Tudo isso foi regado com passes em progressão, adicionando velocidade ao jogo através da troca ágil de toques. Com encaixes frouxos por parte do ASA, as infiltrações ao último terço foram sempre uma arma perigosa dos azulinos desde o primeiro minuto. Essa é uma orientação inteligente da comissão técnica, aproveitando as características diretas dos jogadores do elenco. Foram quase 30 minutos de um “caos organizado” no primeiro tempo a partir da ocupação e da agilidade com a bola.

Saída pelo lado direito teve eficiência promovida pelo melhor escalonamento e distribuição mais racional no espaço; isso permitiu mais opções ao portador da bola

Por conseguirem transpor a primeira e a segunda linhas de marcação com certa facilidade, o Remo chegava em boas condições de usufruir o último terço através de penetrações com bola e/ou infiltrações. Quase um quadrado era formado no corredor lateral da intermediária ofensiva, com Eduardo Ramos no meso-espaço, atraindo Mazinho e contando com os desmarques de apoio de Pimentinha pelo flanco e Luiz Eduardo pelo centro.

O time ainda pecou nas finalizações das jogadas. Apesar disso, sempre estava em superioridade posicional contra a última linha e os dois volantes. Para garantir o equilíbrio defensivo, França e Jackinha permaneceram mais estáticos, evitando uma exposição maior da última linha do Remo e mantendo coberturas e ajudas defensivas. Isso fez com que a equipe não sofresse com as transições ofensivas do rival, já que estava em superioridade numérica atrás.

Superioridade posicional no ataque garantia a eficiência na troca de passes e a superioridade numérica na defesa não permitiu contra-ataques ao ASA

Em organização defensiva, os volantes basculavam para o lado da bola, fazendo com que o time se defendesse com sete jogadores. Entretanto, mesmo com a proteção dos três volantes, espaços exteriores ainda apareceram, naturalmente pela configuração do sistema. Tais áreas eram bem ocupadas pelos laterais Éverton e Airton e com as inserções de Jhulliam, Doda, Leanderson e Djalma alternando as posições e ocupando os espaços.

As boas trocas do ASA confundiram certas vezes os encaixes setorizados do Remo, permitindo finalizações de curta/média distâncias e dotando o jogo de intensas transições, com as duas equipes especulando através de mobilidade e agilidade. Os avanços de um dos laterais remistas para diminuírem o espaço ao portador da bola eram bem cobertos pela movimentação dos três outros jogadores, mas não impediam a troca de passes rápidos dos alagoanos com bons desmarques de apoio e ruptura.

Espaços externos apareceram pela configuração do sistema e foram bem ocupados pelas trocas do ASA, que confundiram algumas vezes os encaixes setorizados do Remo

No segundo tempo, França saiu para a entrada de Flamel, visando dotar de qualidade o último passe e melhorar a qualidade nos passes, além de controlar mais a bola no setor intermediário. A estratégia funcionou e o gol saiu após contra-ataque. Ao estar em vantagem no placar, Léo Goiano retornou aos três volantes para preencher melhor e garantir certo equilíbrio posicional.

A estratégia era dar liberdade para Flamel, Eduardo Ramos e Edgar atacarem os espaços ao atrair de forma pensada o ASA. A formação gera maior segurança ao time para a conquista dos pontos, e Léo Goiano acertou ao não manter o jogo em trocações francas de golpes que a disposição com dois meias e dois volantes estava dando. Foi arriscado, mas manter uma ideia no caminho, por mais que incomode o torcedor, é uma garantia mais segura no contexto vivido pelo clube na tabela. O ASA ofereceu certo perigo, mas em chutes de longas distâncias, e não em infiltrações ou trocas de passes.

Disposição tática do segundo tempo foi para ter um equilíbrio e não deixar o jogo especulativo demais; por mais que pareça arriscado, era a estratégia mais inteligente a ser feita

O que ainda precisa ser melhor entendido pelos jogadores é a dose de intensidade nas abordagens defensivas. Eles ainda pecavam pelo excesso de vontade, trazendo o ASA através de faltas ao redor da grande área que estabeleciam perigos nas bolas paradas. O princípio da contenção tem de ser executado com critérios de acordo com a zona do campo onde a bola esteja, sendo esse um ponto a ser melhorado ainda.

Os três pontos vieram pelo Remo ter sabido sofrer. Controlar os espaços e oferecer falso domínio ao rival é uma estratégia válida neste momento para obter pontos. É importante lembrar que, mesmo após a volta aos três volantes no segundo tempo, o Remo criou chances claras para matar o jogo. Ou seja, a atração foi pensada e bem executada, mesmo com certa dose de sofrimento para os torcedores. O caminho através do sistema escolhido tem de ser seguido, já que os mecanismos começam a ser bem entendidos e executados pelos atletas. O torcedor precisa entender e validar tal ideia.

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