Análise de Remo 2 x 0 Pinheirense — Parazão 2017

Dando seguimento ao Campeonato Paraense, o Remo conquistou mais uma vitória que praticamente sela a classificação. Agora o Leão já soma quatro triunfos consecutivos no estadual, mesmo sem apresentar ainda a dominância desejada pelos torcedores nas partidas. Contra o General da Vila foi mais um jogo especulativo em muitos momentos, também pela boa postura apresentada pelos rivais.

Mantendo o esquema 4–2–3–1, Josué Teixeira contou com a volta de André Luís ao gol e Zé Antônio substituindo o suspenso Igor João na zaga. A dupla de volantes foi composta por Tsunami e Marquinhos, enquanto a linha de três teve Gabriel Lima, Flamel e Edgar. Nano Krieger foi o centroavante. No banco de reservas estava Eduardo Ramos, ídolo da torcida e que retornou de empréstimo ao Santo André.

Posicionamentos iniciais de Remo x Pinheirense

Vale destacar a aplicação tática do Pinheirense nos primeiros minutos, subindo bem a marcação e conseguindo até criar boas chances. Biolay e Feijão tentavam atrapalhar a saída dos zagueiros, enquanto Hallace e Lucão ficavam pelos lados para brecar as ativações de Léo Rosa e Jaquinha. Essa estratégia funcionou determinadas vezes, principalmente quando os zagueiros remistas eram imprecisos nos passes, o que acaba gerando perdas de posse.

Percebendo a dificuldade, o Remo abriu Henrique na direita e Tsunami na esquerda para aumentar o espaço a ser percorrido por Feijão e Biolay, enquanto Marquinhos recuava um pouco para auxiliar e qualificar o passe na saída. A superioridade então criada de 4 contra 2 permitiu certa fluidez e fez com que as linhas de marcação do adversário fossem baixando com o passar do tempo e permitindo ao Remo ganhar terreno no campo.

Superioridade de 4 x 2 para transpor a primeira linha de marcação do Pinheirense. Uma espécie de losango era formado para qualificar a primeira fase de construção.

A partir do momento em que a fase de construção do jogo a partir da linha divisória era iniciada, Jaquinha centralizava para auxiliar Marquinhos enquanto Flamel buscava as entrelinhas e se aproximava posicionalmente de Nano Krieger. Edgar atacava os espaços intralinha em diagonal e Léo Rosa era desafogo e amplitude pelo corredor direito no segundo terço de campo. Nano era o responsável pela profundidade do time e por conter os dois zagueiros.

Neste momento, a associação Marquinhos-Jaquinha era forte quando a escolha era pelo jogo pausado e apoiado em passes curtos. Flamel por vezes recuava para participar do jogo nesta fase, enquanto Gabriel Lima e Edgar se infiltravam pelo centro. Aproveitando os encaixes de marcação com perseguições a médias distâncias do adversário, Marquinhos dava lançamentos longos em diagonal para que Edgar ativasse suas vitórias pessoais em duelos mano a mano com o lateral. Esse desafogo foi utilizado inúmeras vezes no primeiro tempo e com boa efetividade.

Jogo apoiado em passes curtos e associações entre Marquinhos, Jaquinha e Flamel. Quando o jogo era em inversões longas, destacou-se Edgar em seus movimentos fora-dentro e dentro-fora.

No segundo tempo, com as entradas de Eduardo Ramos e Jayme, o time passou para o 4–4–2. Beneficiado também pela queda no nível físico do Pinheirense e pelo avanço descoordenado em busca do resultado, alguns espaços, principalmente nos dois flancos começaram a aparecer. Ora Flamel, ora Eduardo Ramos recuavam até a intermediária defensiva para poderem ativar tais espaços em seguida, seja através de conduções ou passes agudos em profundidade.

Com o aparente cansaço, as voltas da marcação eram desniveladas. Jayme, Flamel, Eduardo Ramos e Léo Rosa por diversas vezes saíam em vantagem dos duelos pessoais em campo ofensivo. Os três atacantes mais Biolay já não retornavam, o que descompactava o time de Júnior Amorim e abrindo um enorme buraco no meio campo. Elizeu se destacou com boas roubadas e interceptações tirando proveito de seu bom posicionamento.

Com o cansaço e a mudança para o 4–4–2, alguns bons contra-ataques começaram a aparecer

O Pinheirense até teve um bom plano estratégico, mas pecou ao não manter a estrutura estável ao longo do jogo. Quando precisou correr atrás do prejuízo, assumiu riscos demasiados ao deixar apenas três jogadores para o equilíbrio defensivo. Sem pressionar após as perdas de posse, as conexões remistas eram ligadas rapidamente e com facilidade, sendo o excesso de capricho o responsável pelo placar não ter sido mais elástico.

Leandro, Walace e Alexandre eram os únicos jogadores tentando conter as investidas do Remo em contra-ataque ou organizações ofensivas. Estes tinham que lidar contra quatro ou cinco atletas do Remo, dependendo do tipo de jogada escolhida pelos mandantes ou imposta pelo jogo. Com jogadores mais inteiros fisicamente e com o placar favorável, foi mais fácil para os azulinos aproveitarem o nível físico para ampliar o resultado e gerar chances de gol.

Sem qualquer equilíbrio defensivo na última metade do segundo tempo, o Pinheirense não cobria espaços e era vulnerável a qualquer tipo de ataque remista

Logicamente o campo pesado por causa da chuva atrapalhou as trocas de passes e deixou o jogo muito sujeito a confrontos diretos. São dificuldades esperadas em razão da época do ano e que o Remo soube driblar. O Pinheirense foi um bom adversário pois impôs variantes que o elenco azulino ainda não havia enfrentado em seus domínios. Aí destaca-se o mérito do losango no primeiro tempo que transpunha a primeira marcação e aliviava o jogo.

A incorporação de Eduardo Ramos ao elenco também traz um acréscimo notório de qualidade e peso na armação, bem como significa uma maior variedade na disposição tática da equipe. Cabe a Josué Teixeira e sua comissão a tarefa de adequar os jogadores às diversas necessidades que ainda serão impostas. A tarefa de maior controle exigida pelos torcedores ganha um novo caminho a partir de agora. Resta saber se saberão percorrê-lo sem maiores percalços.

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