Novas movimentações de Eduardo Ramos

Contratado com status de estrela no final de 2013, Eduardo Ramos demorou a engrenar jogando pelo Remo. A pressão pela famosa “Camisa 33”, por ter jogado no maior rival, pela adaptação ao novo clube, entre outros muitos fatores, pesaram contra o craque remista. Inúmeras foram as formações e táticas para que o meia rendesse tudo que se esperava.

O principal problema eram as funções que o meia exercia dentro da cancha. Durante o ano de 2014, Eduardo praticamente tinha que fazer tudo, buscando a bola entre os zagueiros, armar o time e chegar na área para finalizar. Isso tudo prejudicou seu rendimento, haja vista que o coletivo do time não funcionava de maneira eficaz e o meia era o grande prejudicado.

Em 2014, Eduardo Ramos tinha que buscar a bola praticamente entre os zagueiros, conduzi-la e oferecer o último passe no terço final. Com essa sobrecarga de funções, o meia teve seu desempenho prejudicado.

Eduardo Ramos nunca foi um meia dito “clássico”. Sempre teve como principal característica a armação em movimento, ou seja, penetrando com a bola dominada, rompendo as linhas de marcação adversárias, se transformando num elemento surpresa para, aí sim, servir seus companheiros no terço final de campo. Como o Remo estrutura-se a partir de um 4–2–3–1, exerce o papel central na linha de três atrás do centroavante, preferencialmente.

Com o passar do tempo no Remo (e com o passar da idade), Eduardo Ramos foi mudando sua função e área de atuação dentro do contexto de jogo. Uniu maturidade como jogador pensante com o posicionamento no modelo de jogo da equipe em 2016. Vê-se um meia mais próximo do centroavante, quase como um segundo atacante, para, a partir daí, realizar as movimentações e armar o time.

Em muitos momentos, no início da construção do processo ofensivo, Eduardo junta-se ao centroavante em linha, fugindo da marcação do primeiro volante, aumentando a profundidade do time e fazendo com que os dois volantes avancem as linhas com a bola ou passes verticais. Além disso, também permite que os laterais possam utilizar o corredor central quando os extremos geram a amplitude no ataque.

Posicionado ao lado do centroavante, faz com que os volantes ganhem maior projeção por dentro, além de possibilitar que os laterais subam pelo corredor central aproveitando a amplitude dos extremos.

Com esse novo posicionamento durante a saída de bola, Eduardo realiza algumas movimentações interessantes:

1- quando o centroavante recua atraindo um zagueiro, Eduardo Ramos infiltra ocupando o espaço aberto juntamente com os extremos entrando em diagonal. Essa movimentação é uma das mais utilizadas e permite ao meia entrar na área e aproveitar sua finalização de qualidade. Possui a característica de interpretar os espaços e boa posição corporal;

Com o recuo dos centroavantes, Eduardo se aproveita do espaço aberto e infiltra-se entre o zagueiro e o lateral.

2- Quando os volantes estão trocando passes laterais, a partir do quinto passe no hexágono formado nos setores defensivo e médio-defensivo, Eduardo recua para oferecer opção de passe, transpor linhas e qualificar o início da jogada. Aproveitando a ausência do 1 x 1 e a marcação frouxa, consegue penetrar ou verticalizar o jogo, trazendo consigo os volantes e laterais;

Centralizado entre os volantes para qualificar a saída de bola.

3- com seu bom entendimento situacional do jogo, boa coordenação corpórea e capacidade de retenção e soltura de bola nos instantes adequados, também flutua para os lados em que a bola encontra-se. Busca gerar situações de 3 x 2 nas bandas, além de procurar o passe diagonal no espaço entre o zagueiro e o lateral do lado da bola.

Flutua para ambos os lados para superiorizar a situação e buscar passes diagonais entre a zaga.

Apesar de já ter 30 anos, ainda mantém boa velocidade nas diagonais curtas em ação ofensiva, possui inteligência aguçada para atuar às costas dos volantes partindo para os lados ou zonas mais recuadas do campo. Jogou todos os minutos de todos os jogos nesta Série C, o que comprova que suas novas movimentações têm garantido longevidade em termos de tempo de jogo e poupado o atleta de desgastes desnecessários.

Méritos para Waldemar Lemos, que soube dar novas funções ao meia, garantindo sua melhora de rendimento justamente no período em que ele apresenta maior maturidade como jogador. Completamente adaptado ao clube e ao elenco, Eduardo Ramos cresceu e tem sabido conduzir o time nesta Série C, sendo um dos melhores jogadores da competição.