Remo: saída de bola, amplitude e como melhorá-los através de exercícios

Não basta apenas enxergar e relatar o que acontece dentro de campo quando analisa-se profundamente uma partida. É importante também apresentar soluções aos problemas que os jogadores enfrentam, sejam impostos pelo adversário ou pela imprevisibilidade do jogo. Se o objetivo é ampliar o debate acerca das atuações do Remo através da exposição e explicação dos pormenores táticos, as apresentações de exercícios de treinos tornam-se fundamentais para resolvê-los e embasar mais o entendimento da importância de uma semana bem trabalhada para o rendimento no jogo.

Dois grandes problemas enfrentados pelo Remo até aqui residem na saída de bola e na falta de amplitude na organização dos ataques. Então mostraremos a seguir alguns exemplos de como treinar tais princípios e suas vantagens dentro do campo de jogo, bem como indicar novas soluções para, possivelmente, serem utilizadas:

SAÍDA DE BOLA

O Remo, costumeiramente, posiciona seus dois zagueiros próximos aos bicos da grande área na saída, fazendo com que seus laterais avancem até a linha dos volantes, arrastando os marcadores e dando campo para a dupla de zaga. Entretanto, pouco há incorporação dos volantes nestes momentos, já que não retrasam tanto, impossibilitando maiores linhas de passes e entregando-se à marcação adversária.

A seguir, um possível exercício para melhorar a saída com a mesma disposição espacial utilizada pelos remistas:

Exemplo de posicionamentos delimitados e movimentações

Explicação: situação de 7 x 4. O exercício começa com o goleiro, que passa a bola a um dos zagueiros. Se for para o zagueiro direito, o lateral-direito baixa para ser opção de passe. Em seguida, os dois volantes basculam para o lado da bola, criando superioridade numérica e sendo opções de passe e triangulação. Ao mesmo tempo, o lateral oposto avança para a linha dos volantes sem abandonar o corredor lateral, sendo opção para uma inversão longa do jogo. O objetivo é passar a linha do meio-campo. A equipe adversária tenta roubar a bola e marcar o gol.

Neste exercício, além de treinar a saída de bola, ainda há a contemplação da pressão alta dos adversários, ou seja, numa mesma sessão treina-se dois importantes aspectos do jogo remista. O treinador deve intervir alertando seus atletas acerca da criação de linhas de passe, apoios permanentes, tirada da zona de pressão, fechamento de linhas de passes, balanceamento, pressão ofensiva, etc.

Agora, a seguir, exemplos de exercícios que podem ser utilizados. O princípio aqui é chamado “saída de três”, não contemplado no modelo de jogo, mas que seria uma nova forma de saída de jogo, pouco utilizada na Série C e que faz o jogo fluir com maior naturalidade.

Exercício que simula a saída de três para garantir superioridade atrás da primeira linha de marcação e desde o primeiro terço do campo

Explicação: situação de 4 x 2. A bola sai do goleiro que a passa a um dos zagueiros. Este, quando a recebe, significa o sinal para que um dos volantes retrase sua posição para ser opção de passe atrás, formando uma linha de três contra a oposição de dois adversários. A partir daí, os dois adversários tentam roubar a posse e marcar gol, enquanto o time azul pontua marcando gols na mini-baliza ou trocando dez passes consecutivos entre si, sem interceptações.

Outro exemplo de saída de três, agora contemplando todos os jogadores

Explicação: Jogo 11 x 10. O exercício é similar ao anterior, com o volante recuando assim que um dos zagueiros recebe a bola do goleiro. Além de formar uma situação de 3 x 2 atrás, permite superioridade numérica no setor central e atrás da primeira linha de marcação. Os laterais sobem e alinham-se à linha dos volantes mais adiante, trazendo consigo os extremos rivais. Após a bola ultrapassar a linha tracejada, acontece um jogo normal. As setas indicam a movimentação que os jogadores avançados terão de fazer para conseguirem superioridades centrais e abrirem os corredores externos para a subida dos laterais.

AMPLITUDE OFENSIVA

Outro problema, este na segunda fase da organização ofensiva, onde não há amplitude na construção, com os pontas centralizando muito, sem tanto critério para a incorporação dos laterais tendo peso no ataque. Isso não alarga tanto a defesa rival e não propicia a criação de corredores internos a serem usados para triangulações, infiltrações e projeções.

Exercício para melhorar a amplitude ofensiva e o jogo interno dos extremos

Explicação: jogo 11 x 11. Saída mais qualificada, com incorporação de volantes. A partir daí, os extremos traçam movimentos internos para alinharem-se aos meias, criando superioridade por dentro e tirando a referência da zaga adversária. Com esta saída fora-dentro dos extremos, os laterais precisam avançar para manter os corredores externos ocupados, gerando a amplitude e ficando no mano a mano com os laterais rivais. O jogo desenvolve-se normalmente. O objetivo é marcar o maior número de gols.

Mais um exemplo de como treinar a amplitude

Explicação: jogo 6 x 6. Agora a amplitude é garantida pelos extremos, que devem ocupar os corredores laterais, deixando o corredor central superiorizado pelos volantes e um dos meias. Aqui, todos os corredores devem estar ocupados. O objetivo é triangular, melhorar o jogo apoiado e marcar nas mini-balizas. A equipe vermelha tenta roubar e marcar gols nas mini-balizas opostas. De preferência, joga-se em dois toques par agilizar a fluidez.

Estes exemplos são apenas para ilustrar possíveis situações de treinamentos que refletiriam dentro de campo se corretamente executados durante a semana. Ficam aqui possíveis soluções acerca de dois problemas apresentados pelo Remo até aqui. Outros serão apresentados durante a próxima semana.

OBS: Flamel e Eduardo Ramos foram os únicos nomeados porque representam o que pode virar tendência e a necessidade de usá-los em diferentes alturas.

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