E se não houvesse o amanhã?

Talvez saísse correndo no meio da rua gritando, abraçaria pessoas que nunca vi na vida, perdoaria os que me magoaram, e pediria perdão aos que ja magoei. Talvez dissesse a minha mãe como ela é importante pra mim, quanto a admiro e a tenho como inspiração, quanto sou ingrata por não agradecer, o quão bela ela é por dentro e por fora, e o quão forte ela é. Talvez abraçaria meus irmãos e falasse que os amo acima de qualquer coisa, que apesar de tudo, eu lembro das brincadeiras e dos bons momentos que juntos tivemos. Talvez sairia desenhando pelas suas um monte de flores, para que todos sentissem um pouco de paz, até mesmo eu. Talvez eu rasgaria todo padrão imposto e gritaria pela liberdade de cada um, aliás, seria o último dos nossos dias, imploraria que naquele momento todos fossem quem desejassem ser, estranhos, bizarros, normais. Talvez eu raspasse o cabelo, ficaria engraçado e todos iriam ri da minha coragem, mas qual o problema, seria nosso último dia. Talvez eu chorasse, talvez eu riria, hoje eu fiz o que quis, pois o amanhã não sei se estarei aqui.