Minhas marcas

Eu tenho escrito na pele o que vivi no meu passado, linhas esbranquiçadas e hematomas formam o que posso chamar do meu aprendizado, hoje eu posso tocar e não sentir dor na minha carne. Eu tenho marcas, foram todas por amor, que dor, lamentável e ingênua forma de demonstrar meu amor.

Algumas marcas na pele, algumas na alma, trancafiadas no meu egoismo que até hoje não me levou a nada. So eu senti a dor, só eu vivi o horror, carrego as marcas que foram para homenagear alguém que partiu e me deixou, uns porque tiveram de ir, outros porque quiseram ir, ambos viverão sempre no meu interior, na parte da dor e do amor.

Ah, quantas marcas. Lembro-me bem das dores finas do momento, ou de uma pancada violenta que me fez cair ao chão, perder a razão, perder a confiança de que um dia iria levantar do chão. Enterrada numa profunda escuridão, só sabia que estava viva porque as marcas doíam a mostrava que meu coração batia, bombeando o sangue que fazia derramar pelas linhas das minhas loucuras e incompreensão.

Foram e são minhas eternas memórias mais doloridas, meu pesadelo mais triste e sofrido, minha parte morta da carne que ainda tenta se regenerar para viver novamente, minha parte que um dia já teve desgosto da própria vida. Vou leva-las pro resto da vida, onde as próximas barreiras me lembraram que uma hora a dor passa e o aprendizado fica, e a necessidade de nadar contra a correnteza é maior do que o orgulho de querer parar e se afogar no próprio mar da nossa ilusão de que nada mais tem jeito, de que nada mais pode ter solução.

Essas foram minhas marcas, nas quais hoje me trazem paz e esperança para o dia de amanhã.

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