Novamente olhava o horizonte pela janela do 6° andar, com sua tristeza por dentro voltava a se perguntar, isso é felicidade?. Tinha um longo caminho, uma mãe que anjos não se comparavam, um namorado que poema nenhum decifrava, sobrinhos que faziam a se sentir como uma mãe, pelo carinho, amor e cuidados que a tiravam um pouco da sua solidão. Mas o horizonte a trazia lembranças do seu pai, um herói que se foi e deixou as lembranças, que sua infância valia mais a pena que o seu presente de confusão, e que a vida era passageira e nada parecia ser em vão. Era medo de não conseguir seguir em frente, era medo de não encontrar a paz que um dia teria sentido em um beijo de boa noite. Não sabia que o tempo mudava, nem que as pessoas acompanhavam a mudança do tempo, não sabia que sentimentos mudavam, e o amadurecimento trazia as novas experiências. Sabia que não devia desistir, e que angustia tinha a mesma frequência que a felicidade, que o mundo não era único, assim como o seu umbigo. Sabia que pessoas sofriam, umas por opção e outras por destino, sabia que ajudar fazia com que outras pessoas pudessem enxergar o que ela via, mas não conseguia alcançar, sabia também que isso faria a esquecer um pouco da sua própria tristeza, e conseguir seguir adiante. Sentia que o vento frio vinha por ter que chegar, mas sabia que sentir seria uma opção, foi quando colocou o cobertor e viu que sempre haverá duas opções, sentir frio ou se aquecer. Via no horizonte a distância do futuro, mas o passado, não o tinha mais, mas sentia no seu coração, um pouco da vontade de lutar. Lutar pelos que se foram e pelos que ficaram, pelos que desistiram e pelos que lutaram, pelos que deram amor e também pelos que deram rancor, pois tudo um dia se baseou apenas no amor.