Despertador e o sonho

Ponte Rio-Niterói: travessia entre duas cidades, escolhida como símbolo da metáfora desta crônica / Renan Rodrigues

Sexta-feira de um dia qualquer de uma semana nada excepcional. Eles se reencontram em uma simbólica ponte, metáfora de duas trajetórias que, por ironia do destino, teimam em se cruzar.

Não há palavras. Os olhares bastam. O não dito reacende a chama. Passa um filme nos curtos segundos até que o silêncio é rompido.

Tudo bem? Como você está?

Do esbarrão surge o convite para um despretensioso café. “Botar o papo em dia”, alegaram. De lá, um almoço, que virou uma cerveja pós-expediente.

E, assim, as histórias se confundem. Mais do que os dois corpos, as duas vidas se unem novamente. Até a inesperada conversa.

Quero ter um filho.

Medos, sonhos, desejo. O filme acelera até a cena final, pronto para o “felizes para sempre”.

O despertador toca. Um deles acorda. O sorriso logo se esvai ao perceber que o enredo não passou de ficção, uma peça pregada pelo próprio inconsciente. Um desejo não dito, um sonho nunca revelado.

Vida que segue.