Bancos de madeira e cálices de ouro

Estranho pensar que vivemos em um tempo em que coisas são mais importante que pessoas. Mais estranho ainda é pensar que aquilo que deveria dar maior importância para as pessoas, hoje dá mais importância para aquilo que as pessoas podem dar para ela. Eu falo da igreja, àquela que na história foi responsável por criar a assistência social, a saúde pública, as universidades, entre milhares de outras obras magníficas. Note que tudo isso tinha um foco: servir as pessoas.

Quando surgiu essa loucura na minha cabeça (isso é extremamente normal) de "bancos de madeira e cálices de ouro", eu inicialmente imaginava algo relacionado aos prédios, estruturas, mas nesse pensamento eu não tinha notado algo simples: não é sobre a instituição e nem estrutura. É sobre nós, sobre as pessoas, pois nós somos a igreja. Por que os bancos permanecem de madeira, e os cálices de ouro? Por quê o foco são as coisas, e não as pessoas? Você consegue me entender? Pode ser que passe pela sua cabeça que eu estou falando da igreja católica, mas, obviamente não. É uma analogia obvia e clara, sobre como os cristãos tem se posicionado com o passar dos tempos. O foco era servir as pessoas.

Nessa situação, eu imagino exatamente como eu recebo as pessoas na minha casa. Sempre aprendi e convivi com pessoas que me receberam muito bem, me ofereceram seus melhores, foram generosas. Hoje não consigo receber alguém em minha casa e não oferecer o melhor que tenho. Não consigo deixar de oferecer o meu sofá para que as pessoas se sintam confortáveis, enquanto eu sento na cadeira da mesa de jantar. É normal eu ver a minha esposa oferecendo a melhor janta, a melhor bebida aos convidados. Como pensar diferente disso? Isso se tornou anormal hoje? Não consigo acreditar.

Por trás disso tudo está algo que deixou de ser obrigação, e hoje é excessão: a generosidade. Esse é um momento oportuno de falar sobre isso, pois tenho ouvido de pessoas sensacionais sobre esse assunto tão incrível, e que, infelizmente, hoje passa despercebido. A igreja deixou de dar, e se interessa em receber. Não dar o que é necessário, mas simplesmente dar. Dar por boa vontade. E eu repito, a igreja que falo somos nós, cristãos. Nós deixamos de oferecer o nosso melhor, deixamos de nos preocupar mais com o próximo do que nós mesmos. Deixamos de fazer aquilo que nosso mestre fazia com maestria. Deixamos de "lavar os pés" de nossos semelhantes. Deixamos de fazer justiça.

Mas creio que foi só até hoje. Eu creio, sim, que estamos vivendo uma nova reforma, onde loucos se levantam contra aquilo que o tempo tornou controverso, e pregam os valores de Cristo. Creio que a igreja se levanta novamente com uma mensagem genuína. Uma mensagem que não leva peso, não leva costumes, não leva julgo. Uma mensagem que leva simplesmente graça, que nos foi dada através de uma cruz e de um Pai que com fontes inesgotáveis, um Pai que transborda de amor por nós. Graças a Deus, muitos tem se levantado para ser uma resposta ao mundo. Novamente.

Vai ficar parado aí, ou vai fazer parte disso?

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