O que te custa ter o mínimo de empatia e olhar ao seu redor?

Veja que o "patum" na comunidade pode não ser a batida do funk ou o som do tamborim e do bumbo de um jovem sorridente.

O "patum" surge na mesma frequência das batidas do coração do morador, mas não parte de um peito marcado pela dor.

Parte do metal quente do cano de um 7.62 ou um outro fuzil qualquer.

Parte do gatilho apertado pelo traficante e pelo policial.

Parte, como conjugação do verbo partir nos seus dois sentidos, tanto como "ir" quanto como "dividir".

Esse som diário destrói não só o palpável, o visível, destrói sonhos, possibilidades, histórias, sorrisos.

Que o "patum" deles de cada dia possa ecoar em nossos bunkers sociais e arrebentar de vez com o preconceito e a falta de empatia com a mesma facilidade que eles destroem paredes e famílias nas comunidades.

Que esses poemas um dia mudem e que essa história não seja nem contada como lembrança.