Apenas um dilúvio.
Que horas são?
Se ouve um trovão.
Sabe aqueles que não tem água para beber?
O fazendeiro que faz meses que não vê chover?
O rio que secou e os peixes que morreram?
Aquelas gostas do céu que nunca desceram?
Se ouve a chuva.
Não é uma chuva normal.
Ventava e as pessoas se banhavam, surreal.
Depois de dias, tudo alagado.
Não parou de chover, fiquei preocupado.
Teve aqueles que beberam muita água, que explodiram.
Os sorrisos e fazendeiros sumiram.
Alguns passaram dias nadando.
Outros de barco velejando.
E eu! Fiquei ali boiando.
Então vi um grande barco se aproximando.
Estou louco! Ou vejo animais?
Olha! Tem uns casais.
Acenei e fui resgatado.
Subi ao grande barco quase congelado.
O velho ao me ver me abraçou.
Nenhum dos animais avançou.
Depois de dias no grande barco, fui ao convés ver a situação.
O mundo estava alagado, não se via as montanhas, apenas furacão.
Pensei naqueles que nadavam.
Lembrei dos que velejavam.
Então chorei.
Mas o motivo, não sei.
Certo dia a chuva parou.
E o velho uma pomba soltou.
Depois de dias ela retornava.
O velho ficou triste e me falou o que pensava.
Outra noite estava indo ao convés.
Fumar um cigarro, alongar os pés.
Acendi o cigarro e segui meu caminho.
Quando abro a porta do convés, vi o velho, dançando, nu, bêbado, louco de vinho.
Resolvi me juntar a ele, fiquei embriagado.
Então eu várzeei e logo fiquei pelado.
Depois de horas se embriagando e dançando com muita empolgação.
O velho me disse que continuaríamos a navegação.
Em algum dia daquela semana que me esqueci.
O velho soltou uma pomba e essa eu vi.
Fui me sentar e ficar “rilex”.
Dor no corpo, tomei um dorflex.
Certa manhã vi a pomba voltando.
E um pedaço de mato estava segurando.
Todos em uma alegria.
Chegamos em um pedaço de terra, parecia magia.
Encaramos muitas coisas, muita superação.
Quando desci do barco, fui morto por um leão.
