Minhas condolências.

Jericó
Jericó
Sep 9, 2018 · 1 min read

Faz dois dias que acabou o gás.

Sinto fome.

Pra mim tanto faz.

Chorei e não tem essa de ser homem.

Não tive forças para pedir ajuda.

No armário nenhum pacote de arroz ou feijão.

Minha geladeira apenas garrafas d’água.

Minha luz, um gato feito pelo seu João.

Meus companheiros choram sem saber.

Todos com um falso sorriso no rosto.

O que queríamos era comer.

Estamos o puro desgosto. Me parece o fundo do poço.

Minha casa é simples na comunidade.

A mãe do Bento a dias não come.

Ela me disse a verdade.

Todos tem fome.

Ricardinho, bebê novo na periferia.

Sua mãe não tem luz em casa, tá tomando banho de água fria.

Ele não tem fome, tem um seio seco para mamar.

Sua mãe chora, não sabe até quando vai durar.

Conseguem escutar os choros no silêncio da periferia?

Dona Bel fala que em uma casa não pode faltar sal.

Pedi água para beber.

E faltar sal na periferia é normal.

Mas aqui só queremos o que comer.

Existem uns que comem bem.

Sem se importar com o que come.

São os vermes do cemitério da cidade trem.

Que comem os que morrem de fome.

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