Poesia de doidão.
Poeta da madrugada.
Quem busca tudo e não tem nada.
Já tomou um enquadro na quebrada.
Eles param te revistam, mas você não tem nada.
Apenas um bêbado na madrugada.
Se já traguei e já bebi eu não tenho nada.
O copo secou a ponta apagou.
Tipo Ronaldinho chutando pro gol.
País do futebol.
Praia do Rio, Ipanema que pega sol.
País da pedalada, do drible.
O Neymar do futebol.
Entrei em uma viagem.
Ser jogador é a vantagem?
Nascidos no gueto, olha a situação.
Quem já morou em barraco? Levanta a mão.
E aqueles que foram no forró do figueirão.
E aqueles que comem arroz sem feijão.
Essa é a verdade, deve ter menor morrendo na comunidade.
Mães sendo diarista é a realidade.
Você trabalhando em um emprego meia boca por necessidade.
Tem que bater de frente com a realidade.
Poesia de doidão.
Só te passando a visão.
Bem vindo ao Brasil.
País da corrupção.
Mas é um país legal.
Gente doente esperando 3 horas na fila do hospital.
Mendigo acordado com jato d’água.
Porque não tinha onde dormir e capotou em uma escada.
Poesia de doidão.
Falam que tem muito bandido na rua, mas como anda a educação?
Você dorme, acorda, trabalha, estuda e chega em casa de madrugada.
Para ter seu nome quem sabe um dia, escrito em uma fachada.
Hoje não.
Só quero seguir meu caminho e ir.
Que no final quero ter motivos para sorrir.
Isso não é poesia de doidão.
