JACK PEARSON, A MASCULINIDADE DA QUAL PRECISAMOS NOS ESPELHAR.

Recentemente postei sobre a minha admiração a série televisiva norte-americana cujo título é ‘This is us’, em tradução livre, ‘Estes somos nós’ [1]. Pois bem, neste texto eu pretendo fazer um recorte da série para discorrer sobre um tema que tem ganhado destaque mesmo que indiretamente. O tema é masculinidade. O que é ser um homem de verdade? Como expressar uma masculinidade genuína? Como assumiremos esse papel? Sim, aqui, como em qualquer opinião que eu emito, estou escrevendo a partir da minha cosmovisão cristã, a qual me faz enxergar a Bíblia como o parâmetro para que eu pense o mundo.

Na série encontramos o personagem Jack Pearson, o grande pai de família, pai dos “big three”. Já começo dizendo: Jack é um exemplo de homem. Jack é alguém cuja masculinidade deveria inspirar jovens a se casarem e constituir famílias. Quem é o Jack na série? Poderíamos traçar um perfil de personalidade, mas irei por um outro caminho na tentativa de mostrar com o que homens de verdade deveriam se empenhar.

Jack é um pai atencioso e carinhoso, um marido dedicado e apaixonado por sua esposa, um trabalhador que não foge das responsabilidades de sustentar a família. As coisas podem não estar cooperando, mas lá está Jack sempre pensando em primeiro lugar no seu núcleo familiar. Jack é a metáfora de um resgate que penso ser a verdadeira masculinidade. Aquilo para o qual Deus criou os homens, de maneira geral, em prol de construir uma família ancorada no caráter de alguém que a vive de maneira intensa e proposital. Em Hollywood temos muitos quadros que pintam o que é ser homem, mas quase todos, para não dizer todos, são uma antítese de Jack. Homens machistas, homens efeminados, os brigões, os covardes, os brutos, os extremamente delicados e os indecisos. Na falta de referenciais, Jack é o retrato do equilíbrio, um cara falho, comum, sem super poderes, que se afadiga, mas que almeja ser perfeito para sua família. Não são poucas as queixas de que esse tipo de homem é o que falta na sociedade hoje. 
 
 Qualquer um que assistir a série, perceberá que em muitos sentidos, temos construído uma sociedade de meninos com brinquedos caros. O exemplo disso está contido na própria série, na figura do filho de Jack, Kevin. Kevin é alguém que namora super modelos, pula de relacionamentos pra cá e pra lá, mas que por conta de sua profissão, acabou ganhando muito dinheiro, podendo comer em restaurantes caros e usufruir de certo status. Kevin não seguiu seu pai. Kevin representa o que Derrin Patrick chama de “homenino”[2]. Meninos que imersos na falta de responsabilidade, acabaram por entregar sua masculinidade. Ser homem não é ter várias mulheres e com elas ter relação sexual, não! Ser homem é ser íntegro, leal, devoto à servir o próximo e servir de maneira honrosa. Ser homem independe do estado civil, quer seja solteiro, quer seja casado. A verdadeira masculinidade portanto é feita de serviço — cuja base é o amor- e respeito. Homens de verdade se dedicam a suas famílias, suas esposas, a seus filhos, e por amor, não se permitirão flertar com os convites para trai-los. Homens que não tem medo do trabalho árduo, mesmo que a esposa ganhe o equivalente ou mais (não importaremos aqui um machismo que diz que a mulher não pode ganhar mais que o homem), eles não deixarão de trabalhar. Saberão portanto que não possuem todo tempo do mundo para video-games, netflix, futebol, ou qualquer que seja o hobby. A verdadeira masculinidade pensa no próximo, pensa na família, pensa na sociedade, pensa em valores. Confesso que ser um Jack tende a ser um desafio. Mas é um desafio o qual nós homens devemos abraçar com toda garra que existe em nós. Que Deus nos ajude!

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 [1] Série televisa norte-americana do canal NBC, lançada em 2016.

[2] PATRICK, Darrin. “O plantador de igrejas”, Edições Vida Nova.