
Bomba relógio
Em uma de minhas viagens me vejo, tão de repente, em frente a uma bomba relógio, com muitos fios, tantos fios, uma imensidade de pensamentos desconexos, uma confusão de fios. São tão coloridos, diferentes e ficam ligados ao centro dela. Sinto-me confusa, delicada, quebrável, explosiva.
O tic tac insano me leva a loucura e eu mal posso esperar que ele cesse. Incansável lembrete de quão escasso é o tempo. Tic tac. Quão infinito é o tempo? Não posso esperar que ele cesse.
O zunido em meus ouvidos precede a explosão. Sinto minhas mãos tremendo, o suor frio pinga de meus dedos. Tic tac. Pergunto-me se é possível derreter.
Eu derreto, viro poça de nervosismo e angústia. Tic tac. Não respiro, não me movo, mas me movo, me movo muito e não paro, não me calo, não me acalmo.
E então eu explodo.
