O leilão
Aug 29, 2017 · 1 min read

“Dou-lhe uma!
Dou-lhe duas!
Dou-lhe três!
(ouve-se o martelo
batendo na mesa…)
Poema vendido
Praquela moça das olheiras!”
Sempre eu
A arrematar poemas…
Mas
Pelo verso,
Pago
O preço que for.
Gasto mesmo!
Eu sei, sou estranha…
Raspo as economias…
E não economizo
Entranhas…
E quando, lá dentro,
Alguém perguntar
Como sei estivesse
Em um leilão:
“Alguém dá mais?”
Só eu
Levanto a mão…
Depois,
Ponho o dedo
Na ferida
E rasgo a carne
Um pouco mais.
Ao arrematar
Um poema,
A ferida
Vem exposta
No verso,
E a cicatriz,
Embutida
No preço.
Eu pago
Porque mereço.
