POEMA DO NADA

Preciso de chão.

Sei lá porque,

Mas preciso.

Talvez nem precise

De chão,

Mas de céu.

Só que o medo

Me faz precisar

Do que não é céu.

Talvez então

Seja mar

Que eu precise…

Mergulhar

Numa água, não de rio,

Já que não consigo

Me manter em margens

(As únicas margens

que me cabem

são as do papel),

E que vou

E volto

(E me revolto

Às vezes)

Feito o balanço

Do mar…

E se eu preciso

De balanço,

Talvez seja vento

O que precise…

Me deixar levar…

Me deixar cair

Feito pena

Flutuando no ar…

Talvez eu precise

Queimar

O chão da casa…

Arder em brasa…

Virar lava,

Cinzas…

Pó…

E mais

Nada.