Sempre que der seja você mesmo

Sua essência é sua essência e é isso que você é. É isso que você tem. Foi isso que o mundo te deu. Mesmo você sendo você, as vezes, é difícil manter essa essência na rua, para os outros. Você é sua melhor versão, por isso, sempre que der seja você.

Várias vezes na rua, dentro de casa, numa conversa de bar eu preferia ter dito uma coisa a outra, eu preferia ter feito uma coisa a outra e não fiz. Por que? Não sei, simplesmente não fiz ou não falei. Como eu não gosto de confusão e odeio criar confusão, as vezes eu não faço ou não falo com o intuito de não gerar algo ruim ou constrangedor. Mas é tão bom quando a gente fala o que pensa sem medo de ser feliz. Isso significa não se calar a uma verdade de uma outra pessoa, você concordando ou não. Sempre que der seja você mesmo.

Quando eu trabalhava no mundo corporativo, inúmeras vezes eu não dizia o que eu queria para os meus clientes ou chefes. Não dizia porque sabia que meu chefe não ia concordar, sabia que meu cliente não ia gostar de ouvir. Mas como eu queria muito ter dito que ele não precisava de uma campanha publicitária, ele precisava apenas de uma assessoria de imprensa, ou ao contrário. As vezes eu queria apenas dizer, “trate melhor seu funcionário que eles vão bater a meta no final do mês” ou aquele lindo “vai tomar no cu”. Não, não falei.

Todas as vezes que eu falo algo que eu queria, toda vez que eu mostro minha essência eu faço meu interlocutor me conhecer melhor, saber meu ponto de vista, mesmo que depois eu mude. Isso é maravilhoso. E, claro, ninguém fica com úlcera no estômago.

Tem coisas que eu preciso dizer ou fazer, mas ainda me falta coragem. Por exemplo, na esquina da minha casa tem um ponto de táxi e toda vez que eu preciso passar pela calçada os motoristas param de falar, fica aquele silêncio de assédio visual que eu odeio, até eu atravessar a rua. Nunca falei nada, me faltam palavras para dizer qualquer coisa, tenho raiva e nojo, mas minha maior vontade é soltar um pum bem alto. Bem alto mesmo. Que eles escutem e não tenham dúvida que veio de mim. Essa é minha maior verdade nessa hora, vontade de soltar um pum pra eles e com isso passar a mensagem de “foda-se e parem de olhar, seus merdas”.

Tem vezes que que queria chegar pra alguns amigos e dizer para eles que to pouco me fudendo pro que eles falam. Que aquilo não me interessa em nada. Mas aí não falo, faço aquela cara de paisagem e começo o mantra do “P. Sherman 42, Wallaby Way, Sydney”. Mas por que eu não falei? Por que eu simplesmente me levantei e não saí da mesa? Sei lá.

A verdade, é que eu queria conseguir falar mais minhas verdades. Queria de coração não esconder minha essência nas hora que preciso mostrar meu “eu” nua e crua. Doa a quem doer. Essa parada de ter que se conter para agradar outro, ou não agir de certa forma por vergonha ou de falar “eu te amo” sem amar é um saco. Eu sei que as vezes é necessário, mas sempre que der seja você mesmo.

Beijos,

Albertim

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