À escuridão, minha profunda gratidão

Um ano atrás, exatamente, eu passava por uma “crise” muito forte. Período em que tudo ficou mais turvo, mais escuro. A maneira como eu ocupava o meu tempo não me preenchia. O trabalho que eu fazia perdia o sentido dia após dia, alguns dos lugares que eu frequentava também. Foi quando comecei a questionar, com toda a minha força, como e por que eu havia me colocado naquela situação. Uma situação de vida que chegava no limite. No meu limite. Meu corpo gritava e a sensação de esgotamento extrapolava o físico. Meu ser estava profundamente afetado. E esse texto, que saiu hoje depois de um dia cheio de sol, espaço e tempo, é para agradecer.

Agradecer a essa “crise” pela qual eu passei. A cada um dos obstáculos que estiveram em meu caminho. À clareza que veio com força total quando comecei a perceber a desconexão entre muitas coisas que eu fazia, hábitos que eu tinha, pessoas com quem eu convivia e o meu ser. À minha saúde que pedia socorro, desaceleração. Espaço. Tempo. À minha alma, que gritava por uma conexão mais profunda. Por um recolher.

Só do coração, do acesso livre a ele, é que pode vir a luz

Nessa época do ano passado, estava no escuro. E lá fiquei. Me deixei viver um período de luto para poder nascer de novo. Para dar espaço para que eu pudesse viver mais livremente nesse mundo. Me expressando de acordo com o que eu sinto, penso e acredito. De acordo com o que eu de fato quero para mim. De acordo com a história de vida que eu quero viver e, lá na frente, contar, feliz. Sem amarras, sem situações que pudessem me fazer não acreditar em mim. Desse lugar "ruim", e de um profundo desejo de viver com coerência e honestidade, veio a coragem. A coragem de ser quem eu sou. A coragem de mudar. De deixar ir um monte de coisas. Hábitos, caminhos conhecidos, coisas que eu pensava que não podia viver sem, pessoas, lugares. A coragem de pisar em um caminho desconhecido. De me entregar, confiar.

Santa meditação que, dia após dia, me mostrava que o caminho já se apresentava diante de mim. Era simplesmente pisar e seguir. Mas para isso precisava entrega. E ela veio. Quando eu abri esse espaço interno no mais íntimo do meu ser, eu comigo mesma e mais ninguém, ela veio. E o universo me presenteou demais. Como apareceu gente na mesma sintonia para me ajudar. Quantos presentes eu recebi.

Hoje olhando para trás, parece que aquele maio de 2016 foi em outra vida, há séculos. E essa semana, dessa lua cheia forte, em que pude meditar e compartilhar a vida em círculo com dezenas de outras mulheres também em busca desse viver mais honesta e sinceramente, percebi que não foi pouca coisa. Não foi pequena a mudança. Hoje me sinto feliz e orgulhosa do movimento que fiz.

Curvas, subidas, descidas, necessidade de pausas, trechos mais claros e outros mais escuros seguem no meu caminho. Mas a luz interna, essa que é intrínseca ao meu ser, essa está aqui, bem acesa e bem unida a outras tantas luzes que eu ganhei de presente do universo nesse último ano. Não à toa, o símbolo do Pausa Para Conectar, o trabalho que hoje me preenche e tem me trazido tanta alegria — e que nasceu também dessa “crise” — traz um coração no centro e uma lâmpada acesa em volta.

Só do coração, do acesso livre a ele, é que pode vir a luz. Ao ayurveda, a ciência do conhecimento da vida, e à entrega a esse caminho que não tem fim, eu me curvo e agradeço profundamente. Ele me faz sentir na pele, na realidade dos fatos, no inspirar e no expirar, no pulso do meu ser, que, de fato, quando você se entrega ao Dharma, o Dharma se entrega a você. O Dharma apoia você. O Dharma sustenta você. No amor. Sempre no amor.