Homens e Peixes I.

Imagem: Renan Tobbias

E ele corria rápido. Suas pernas agora pareciam apenas manchas na areia. Ele corria e sorria. Era feliz.


Olhava para baixo e pensava como seria poder fazer o mesmo. Correr. Como deveria ser estranho se movimentar dessa forma: uma perna por vez — sera que não se confundiam vez ou outra? — , depois a outra vinha logo atrás e tomava o lugar. Tudo acontecia mais rápido e mais rápido e o vento ficava mais forte e mais forte e o sol já bravo, não mais queimava.

O vento não me alcançava aqui de baixo; a luz do sol (atrevida) conseguia atingir alguns metros até que se perdia e se tornava escuridão.

Como seria poder correr?…

Qualquer dia — ou noite — desses, vou tentar ir ate a beira da praia. Se não criar pernas, ao menos posso tentar sentir como seria respirar o ar, tocar o chão, tentar me erguer. Se não criar pernas, ao menos me jogo e tento correr, mesmo parecendo apenas uma mancha na areia.