Publicidade

É fácil falar de sorrisos falsos e carismas fingidos, amizades ensaiadas, calculadas pelo algoritmo de quem parece menos detestável naquele momento, quem vai estar mais perto da sua vida com mais facilidade. É fácil falar de sentir-se uma farsa, um impostor no corpo de uma pessoa bem sucedida e divertida.

Difícil é entreter e ser entretido por si, se sentir suficiente, fazer de si um evento, mercadoria. Não por educação, não por fingimento: é publicidade. A publicidade que busca tornar seu público alvo um consumidor assíduo de ti.

Difícil é saber mesclar a acessibilidade do dois por um, a louca que deu no patrão, os cinquenta porcento de desconto, com o mistério recorrente de não saber se hoje vai ter churrasquinho de frango com queijo coalho, com o flau que acabou, com o micro-ondas que tá ocupado, com o fiado, que é só amanhã.

A crítica do falso não passa de uma mercadoria, a venda da autenticidade. A vitrine de profundidade e sinceridade que atrai os consumidores mais sensíveis para os vendedores mais desesperados para bater suas metas. Deu a louca no patrão, estou com oitenta porcento de desconto.