Autobiografia

Não sei se ando atrasada
Mas ando bem tranquila
Nem sei a quantas anda
Quantos passos faltam para o meu fim
Sei de tudo e não sei nada de mim
Pois dentro eu ainda me encontro
E no fundo
Ainda me perco
Continuo me deslocando
Continuo me atrasando
Engatilho para o horizonte
Minha mira é uma ponte
Eu não tenho conclusão
Que coisa chata essa ilusão
De que tudo há de ter razão
Eu gosto do barulho do meu caos
Eu não tenho condição
Sou circundante
Intensa, abundante
Sou tão
Estrago e desrazão
Urgência compilada
Sou apenas um grão
Mas peso uma tonelada
Sou tão urgente
A vida é tão emergente
Eu sou tão de dentro para fora
Eu sou agora
Se você quer um sonho breve
Eu não tenho para vender
Pois sou presença cálida
E sou a tentativa inválida
De ser permanente
Eu sou um labirinto congruente
Sou translúcida, florescente
Só aceito a condição do todo
Parte nenhuma me satisfaz
Mais do que toda a paz
Do inteiro como é
Eu descarto efêmero, hipótese, metade
Sou a linha tênue entre devaneio e realidade
Sou infinitas possibilidades
Sou feita de cacos e estragos
Estadias nas nuvens, quedas e naufrágios
Eu sou partes, inteira como sou
Eu permaneço, eu nunca estou

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