Dias desses veio à tona
Na superfície do peito
Pouco denso, rarefeito
Que amo-te só entre parênteses
Entre aspas, só em meus versos
Pois tu és todo o inverso
Das minhas expectativas
Desfigurado amor da minha vida
Tu és uma página solta dentro de um livro na minha estante
Não faz sentido ser tão distante
Pechinchado por novas migalhas
Quando tudo que eu vejo é tua essência rara
Babe, tu és causa perdida
Página solta dentro dum Rimbaud na estante, coberto de pó, à deriva
Orbitando ainda
Dentro dum romance inacabado
Manchado de vinho tinto
Sangue febril
Sublinhado, quase apagado
Poesia na margem sutil
Entre prefácios, pretextos, contextos
Vou confessar-te
Meio que sóbria ainda, nas entrelinhas
Que só amo-te entre versos
Entre parênteses, colchetes e chaves
Pra que cadeados? Deixa a porta entreaberta
Que eu confesso entrelinhas
Pretérito imperfeito proferindo adversidades
Do teu universo tão distante
Sistema Hoth, frio e desimportante
Que paira imenso acima de qualquer suspeita
Imerso, disperso
Dispenso a causa e efeito
Babe, tu és causa perdida
Razão desprovida
De lógica, incoerente
E aparentemente
Eu, uma estrela cadente
Brilhava frequentemente
No céu da tua boca
E tu, querido, tão distraído, decadente
Nem mesmo percebeu
Que eu amava-te
E era teu
Todos os versos, prefácios e os pretextos meus
Por isso o risco
Os rabiscos
A poesia sutil
O livro inacabado
O sangue febril
E tu sublinhado pra ser lembrado
E agora em tantos versos
Desnudos, mudos, confusos
Contudo, confesso
Passei perto
Da tua distância
Babe, tu és inconstância
Razão desprovida
De lógica, babe, tu és causa perdida
Uni versos
Por ti
Teu universo é o inverso
Do que eu conheci
Veio à tona o reverso
Eu meio que já esqueci