Do verbo ser humano
Um homem sentado na calçada sem perspectiva, comendo o almoço embaixo de uma árvore
Um arbusto degolado sem folhas, murcho e suplicante
Uma borboleta esquelética, marchando pela orquestra do vento
Passos contínuos observam
E um raio de compaixão estremece o âmago do meu ser
Será que a alta da hierarquia observa a várzea, à margem, o fundo?
Será tão alto o teor egocêntrico deles que anulam quaisquer faísca de sensibilidade?
Vou a fundo e mergulho nesse caminho turvo de dúvidas inatas e responsabilidades para com as coisas menores e quase nulas de valor
Por um instante um torpor
Atinge com força as veias centrais do meu sistema
O esquema tenso do dia me faz orbitar paralelo à essas questões de nós enquanto seres humanos
Me faz girar o pescoço com a intenção de ignorar os fatos
Mas e o meu ato de ser humano?
Súplicas ecoam dentro da minha cabeça
E antes que vire o pescoço e esqueça
O âmago me faz lembrar que eu sou igual a todos
Ao homem sentado na calçada
Ao arbusto em suspensão quase no chão
A borboleta sem cor e sem vida
É confortante o despertar da consciência