Devaneios de uma segunda-feira chuvosa.

Então você deita na cama, afundando a cabeça no travesseiro, pensando sobre essa cidade onde as pessoas não pertencem a sua história pessoal, nem os lugares lhe parecem plataformas reais. As pessoas de todos os lugares nunca se importaram com isso.

Então você questiona a razão de a sua vida ser uma droga numa sequência de atos falhos orquestrado por uma música enfadonha que se repete estrondosa junto a rotina do caos alimentado pela sua respiração todos os dias.

Então você olha para os lados procurando um resquício familiar. Nada. Somente quatro paredes brancas pagas mensalmente para pertencer alegoricamente a você. Só que elas não pertencem. Assim como a mão macia daquele sujeito que faz translações diárias pela sua cabeça. Não lhe pertence embora lhe apeteça.

Então você divaga sobre sua falha boba e inocente de dispersar com êxito as pessoas da sua vida sentimental ou como você não consegue manter os laços firmes em situações aparentemente desconcertantes. Ou esse seu desconcerto psíquico seja o mal pelo qual você anseia por alguém.

Então a sequência de ideias que soam no fundo da sua mente lhe faz querer agarrar o teclado do notebook e sequenciar batidinhas certeiras nas teclas, com as pontas das unhas, ao ponto que frases desconexas são formadas na tela acesa e você, sem paciência alguma, desacelera o movimento dos dedos, até que toda a disputa de palavras emaranhadas estejam dispostas diante dos seus olhos.

Acho que preciso de uns remédios. Ou remediar essa situação. Ou a mão do sujeito ajude em alguma coisa inexata. Ou sozinha eu descubra, com as mãos entrelaçadas, que sujeito algum trará exatidão para a desconexão da minha vida. Ok. Acho que é anseio, vou procurar o espelho para me curar dessa moralidade inversa. Ou a conversa com o sujeito trará significado para a rotina estúpida. É coisa de final de mês. Tudo parece acabado, mas de repente surge algo novo para surpreender. Não obstante, esses instantes finais parecem infindáveis. Acho que isso é pensamento de gente louca que acha que o mundo não tem mais jeito. Mas o sujeito tem pensamentos iguais , somos na loucura extrema, normais.

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