lost in translation

eu sou um ser esquisito perdido no espaço e no tempo 
- no espaço vazio dos cômodos
- das ruas em excesso, o vazio da multidão 
- no espaço onde mãos transitam pelo meu corpo
- no espaço, o vão fino entre a minha respiração e a dele
- no espaço onde me sinto um fracasso, em pedaços, onde eu me embaraço
- no espaçamento das letras que dão algum sentido a tudo que penso e repenso e rabisco 
- o espaço onde pertenço, os núcleos e a atmosfera da minha própria consciência 
nos espaços cheios dentro da minha cabeça onde o tempo sempre rotaciona
eu ando e rastejo e sigo o barulho do vento
há um universo se expandindo do meu lado de dentro
- e profusões de nuvens, buracos negros e perdas de gravidade
por isso eu tenho esses olhos atentos
sou amante de coisas pequenas que elevam o pensamento
- filosofia, semântica, romances atômicos, musicas sensíveis, textos enigmáticos, poesias em construção, o significado da existência existe (e persiste em não ser revelado com exatidão)
as palavras me mantém quando me sinto vazia por dentro
sou um bicho selvagem procurando entendimento
meu coração 
- órgão, essência, elo, halo
é um monumento em uma redoma de sentimentos
visito o pôr do sol, visto-me de raios quentes e feixes poentes, pôr do sol é uma pausa no tempo
mas é a noite que me chama e me interroga, o céu estrelado que faz os questionamentos
- sobre a vida aqui e agora e o depois, o tanto que já foi e passou, aqui diante dos meus olhos, acima luzes mortas refletem o tanto da escuridão que circunda esse mundo e ao redor pequenas redomas de luzes e vidas artificiais emparedadas, envidraçadas, sussurrando dentro de vidros límpidos, telas acesas e concreto maciço e tradições maciças e verdades tão frágeis