Padre Fábio de Melo, a síndrome do pânico e o poder da mídia

Renata Moraes
Aug 24, 2017 · 3 min read

Por Renata Moraes/ Fotos: Divulgação internet e @pefabiodemelo/Instagram

No último domingo, 20, o programa Fantástico da TV Globo exibiu uma entrevista com o Padre Fábio de Melo, sacerdote midiático popularmente conhecido nas redes sociais por seu bom humor e personagens. Ele revelou a jornalista e apresentadora Poliana Abritta que está novamente com síndrome do pânico, doença diagnosticada há 2 anos e que voltou a se manifestar nos últimos dias.

Padre Fábio, visivelmente abatido revelou que a doença abalou sua fé e em certo momento pensou em largar a batina.

“Fiquei praticamente uma semana trancado em casa, com sensação de morte, tristeza profunda e medo de tudo. Nunca chorei tanto na minha vida”, afirmou o religioso em um dos trechos da entrevista.

Dias atrás em sua conta no instagram com quase seis milhões de seguidores,Padre Fábio já havia publicado sobre o retorno da doença, e que já estava fazendo tratamento com psiquiatra, e aos poucos tentando retomar seus compromissos e sua agenda.

O drama da vida real reverberou em diversos sites de notícias, as pessoas se manifestaram em suas redes sociais, nas rodas de conversa, no meio religioso católico. O que mais chamou atenção para o fato foi a coragem do religioso em revelar suas fraquezas e chamar a atenção para uma doença psicológica que atinge cerca de 18 milhões de brasileiros, segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A reação das pessoas foi de comoção e apoio ao padre, que mesmo sendo uma figura midiática, um religioso acostumado a aconselhar e fortalecer as pessoas, sempre muito sorridente e feliz em suas aparições na televisão, desta vez se desnuda para seu público, mostrando se indefeso e com medo.

Em certo momento da matéria o padre revelou que nos momentos de maior desespero se escondia embaixo da cama, e a única pessoa que ele queria ver era a sua mãe.

Toda essa repercussão me chamou a atenção para alguns aspectos, primeiro porque nos comovemos tanto com uma situação quando ela é revelada por alguém famoso, que temos empatia e admiramos o seu trabalho, mas que não temos a mesma comoção quando, por exemplo, quem está com algum transtorno psicológico é algum conhecido, parente ou amigo?

O próprio sacerdote já havia revelado em sua rede social e no seu programa semanal da TV Católica Canção Nova que estava passando por essa situação dias atrás, mas o caso só ganhou mais evidência por conta de sua aparição em rede nacional na revista eletrônica do domingo a noite? Será que se não fosse o padre famoso esse tema estaria na agenda setting da emissora?

Que bom seria se todos nós pudéssemos acolher melhor o outro, criar empatia pelos sofrimentos e dores das pessoas, sejam elas nossos ídolos e artistas preferidos, sejam elas nossos pais, amigos, parentes e conhecidos. E que também esses assuntos tivessem sempre espaço na mídia, independente da sazonalidade em que eles acontecem com pessoas famosas.

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Renata Moraes
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