Tinta de criar histórias…

Renata Nunes
Jul 20, 2017 · 2 min read

Tinta na costela foi onde tudo começou. Ou de onde ela retomou, se tomou. Voltou a si.

“Do nosso amor, a gente é quem sabe!” Tá lá tatuado na pele. Pensando na família e pessoas afins.

Descobriu a afinidade consigo mesma e com sua Ia de alma, sangue, vidas, lutas e cores, mas no cerne…ELA.

Do seu amor, ela quem sabe…e ele é todo dela, do jeito que ela é, está.

Na jornada ela saiu dos trilhos algumas vezes, por vaidade ou capricho, mal sabia que ali se encarrilhava. Tinha um amor a sua versão inventada. Acreditava tanto nela, criava como queria, como queriam. Pensava ela…

Por que então ver por dentro?

Mas sempre que deitava pra dormir, àquela hora consigo, era apavorante fechar os olhos e por fim se ver. Via-se pequena, insuficiente, incapaz e se prometia o Éden de todo dia: “amanhã te encaro!”

E enquanto houvesse amanhã, assim seria, assim era. E o apelo em preces que lá ele estivesse, o outro dia, a outra chance. Dormir na certeza de uma nova tela em branco pra encher com suas cores e glitters.

Mas a tinta, que escorreu letras na pele, mudou tudo, ela mudou tudo, ali na decisão de se assumir tal como era. Não tinha mais volta, só a ida à sua frente! Se assumir e se amar mulher, se assumir e se amar linda, suficiente, inteligente, interessante, medrosa, insegura, iluminada, grande…largou o desconforto confortável da situação “amiga”.

O desejo de ser ELA era tão grande que foi impossível não entrar em movimento, rumo ao seu querer. Usar batom vermelho, no matter a hora. Dançar sozinha, ainda que na chuva, expor suas ideias, ainda que risíveis.

Ela queria ser vista, que a julgassem melhor do que ela se via e nem se deu conta que já era ELA, estava no caminho do encontro.

Por ser parte da teia do todo, fio furta-cor de amor. Foi quando outras formas e letras marcaram a pele em tinta preta, colorida de sentimentos, emoções, que foi se vestindo cada vez mais de si mesma!

E continua o caminho…porquê das coisas mais lindas da vida é saber-se inacabado!

)

    Renata Nunes

    Written by