Breve

Procuramos o endereço do apartamento onde nunca moraríamos, planejamos o nome dos filhos que nunca conceberíamos, lutamos para continuarmos juntos apesar de já derrotados pelo espaço. À medida que nos desafiávamos, queríamos provar, um ao outro e a si e a todos, que o que sentíamos era melhor que nós.

Não sabíamos traduzir em palavra o que nos ligava. Nunca soubemos verdadeiramente o que nos mantinha. Até que demorou para o tempo nos engolir…

O fim chegou até a gente e o acaso nos jogou entre amigos, cigarros e cervejas, insistentemente. Os anos vêm e ainda não descobri o que éramos, além de tristemente felizes. Mas sei o que nunca nos tornamos, o que não conseguimos ser.

Sem combustível para mais perdas, optamos por trocar as dores que causamos um ao outro. Choramos ao mexer em feridas cicatrizadas. Rimos. Nos vimos em nossa versão singular. Nos perdemos em nossa mudança. Falamos em amor. Falamos em nós. Terminamos de novo.

Sempre nos faltou empatia.