Simples

Eu penso, todos os dias penso, e penso que cheguei à conclusão do que é mais difícil de compreender nessa vida: as coisas simples. Eu sei, Clarice disse isso de diversas formas, mas entender é outra história. É como agora, que não floreio o que digo porque não quero qualquer tipo de admiração, apenas compreensão. Sou — e não conheço quem não seja — ninguém para dizer a maneira certa de amar, mas pensemos: quando amamos alguém, queremos essa pessoa feliz ou triste? Alegre ou pra baixo? Grande ou pequena? Todas as primeiras opções, suponho. Pois então por que é tão fácil esquecer qualquer desses quereres quando este alguém não nos retribui o que sentimos? Repito, sou ninguém para dizer a maneira certa de amar, mas o caminho para o amor pleno a si e ao outro ao mesmo tempo é um: o amor simples. Aquele que não põe acima de tudo a felicidade alheia ou o contrário, mas equilibra ambas. Prejudicar o próprio interior porque o outro é feliz sem você não é bom, é cultural. É a cultura do egoísmo, da posse, e como seres universais podemos sim caminhar para o esquecimento do que absorvemos de ruim. Porque não é bom que queiramos o mal de alguém e faz ainda menos sentido se, por esse alguém, temos amor. Compreender que a felicidade alheia é mais importante que a satisfação de sentimentos puramente terrenos é tão difícil quanto por isso em prática, porque é o mais simples, mas nos torna leves e livres. Simples.

“E o amor genuíno diz: eu te amo, por isso quero que você seja feliz. Se isso me incluir, ótimo! Se não me incluir, eu só quero a sua felicidade” (Monja Jetsunma Tenzin Palmo)